Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



quarta-feira, 13 de março de 2013

Valores Maristas

Estudei minha vida inteira no Colégio Marista Sāo José, na Tijuca. Foi lá que, além dos valores de família, adquiri valores de vida, religiāo, amizade...quantas lembranças boas eu tenho de lá....há pouco tempo a turma que se formou no mesmo ano se juntou no facebook, promoveu encontro, e foi uma grande hora do " recreio" em um barzinho na Lapa.

Mas acabei de ter uma decepçāo imensa ao saber que um " amiguinho" querido de blog foi descaradamente rejeitado na escola, na sede da Barra, por nāo se encaixar nos padrões, digamos assim, " normais".

Coloco aqui o link do blog da mãe do fofo e lindo Antonio Pedro, para que possam entender a história.  Nāo entendo os atuais valores maristas, e nem faço quastāo de entender, apenas de manter distância. Nâo gostaria de educar um filho num local que tem os valores religiosos como lema e o pratica negando a oportunidade à uma criança especial, e tirando nāo somente dele, mas de seus alunos, a oportunidade maravilhosa de exercitarem na prática - e não somente na teoria dos livros - o amor, a amizade, o olhar de aceitação ao diferrente, e que o diferente pode ensinar TANTA coisa.  Lamentável. Por outro lado, vejam que alegria como ele foi recebido na sua atual escola. Boa sorte Antonio Pedro! Que você seja muito feliz junto com seus novos amiguinhos.

http://queridoap.blogspot.com.br/2013/03/the-book-is-on-table.html?showComment=1363222248132


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Minha Turma (Marta Medeiros)

Gostaria de compartilhar este texto da Marta Medeiros.  Achei tão perfeito !


Ela é uma amiga recente. Tem três filhos, sendo que um deles possui uma síndrome rara. É uma criança especial, como se diz. Acabei de ouvi-la palestrar a respeito de como é o envolvimento de uma mãe com um ser que necessita de tanta atenção. Eu estava preparada para ouvir um chororô, e não a acusaria, ela teria todo o direito se. Mas o “se” não veio.

O que vi foi uma mulher comovente e leve ao mesmo tempo, recorrendo ao humor para segurar a onda e para não se desconectar de si mesma. Ela deu uma choradinha, sim, mas de pura emoção e gratidão por passar por essa experiência que dá a ela e a esse filho uma cumplicidade também fora do comum. Quando ela terminou de falar, pensei: “Essa é da minha turma”.

E silenciosamente a inseri no rol dos meus afetos verdadeiros. Estranhei ter sido essa a expressão que me ocorreu, “minha turma”, e só então percebi que, durante a vida, a gente conhece um mundaréu de pessoas, estabelece variadas trocas de impressões, passeia por outras tribos e tal.

São homens e mulheres que chegam bem perto do nosso epicentro, nem sempre por escolha, mas porque são parentes de alguém, conhecidos de não sei quem, e que acabam sendo agregados à nossa agenda do celular. Até que o tempo vai mostrando uma dissimulação aqui, uma maldade ali, uma energia pesada, e você se dá conta de que alguns não são da sua turma.

Da série “Coisas que a gente aprende com o passar dos anos”: abra-se para o novo, mas na hora da intimidade, do papo reto, da confiança, procure sua turma. É fácil reconhecer os integrantes dessa comunidade: são aqueles que falam a sua língua, enxergam o que você vê, entendem o que você nem verbalizou.

São aqueles que acham graça das mesmas coisas, que saltam juntos para a transcendência, que possuem o mesmo repertório. São aqueles que não necessitam de legendas, que estão na mesma sintonia, e cujo histórico bate com o seu. Sua turma é sua ressonância, sua clonagem, é você acrescida e valorizada. Sua turma não exige nota de rodapé nem resposta na última página. Sua turma equaliza, não é fator de desgaste. Com ela você dança no mesmo compasso, desliza, cresce, se expande. Sua turma é sua outra família, aquela, escolhida.

Não tenho mais paciência com o que me exige atuação, com quem me obriga a usar palavras em excesso para ser compreendida. Não tenho mais energia para o rapapé, para o rococó, para o servilismo cortês, para o mise-en-scène social. Não tenho motivo para ser quem não sou, para adaptações de última hora, para adequações tiradas da manga. Não quero mais frequentar estranhos, em cujas piadas não vejo a mínima graça.

Não quero mais ser apresentada, muito prazer, e daí por diante ter que dissecar minha árvore genealógica, me explicar em nome dos meus tataravôs, defender posições que me farão passar por boa moça. Não quero mais ser uma convidada surpresa. Se você mandar eu procurar minha turma, acredite, tomarei como carinho.

Dudu, o mais novo melhor amigo

A pedidos, pra quem ainda não conhece, esse é o carinha que me coloca pra fora da cama todos os dias.



sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Mais um ano se passou

Tem um ano que não escrevo. Penso várias vezes em acabar com o blog, mas não tenho coragem. Sinto a mesma dificuldade como se fosse jogar um álbum de fotos do Felipe fora. Não tem como...Outras vezes penso em escrever, e também não acho coragem. Não coragem de escrever propriamente dita, porque na maioria das vezes tenho vontade de escrever sobre assuntos amenos, e não sobre tristeza. Sobre alegria até, como é ainda possível ser alegre às vezes e muitas coisas bacanas que tenho vontade de compartilhar. Mas me falta coragem de entrar aqui nesse "mundinho" do meu próprio blog, e de rever as coisas. A mesma dificuldade de abrir um álbum de fotos do Felipe. É bom mas é ruim. É difícil.

Hoje a coragem veio. Ou a necessidade. Que importa ? Hoje Felipe faria 6 anos. Hoje é o terceiro aniversário sem ele aqui. Hoje é o sexto ano que esta data é um dia difícil de se viver. Era difícil de comemorar com o coração quando ele estava aqui, diante do seu estado e toda a história de sofrimento. É difícil não desejar que ele estivesse aqui hoje. É tudo muito difícil. Tudo o que eu queria era ter meu filho brincando do meu lado, cantando parabéns, correndo pela casa, e eu saindo cedo do trabalho para estar com ele, e não precisando ficar em casa no dia de hoje por não aguentar o peso deste dia.

Neste último ano em que não "apareci" por aqui, a vida andou. Tomamos várias decisões para renovar as energias, como mudança de casa, de trabalho, a "permissão"da chegada de um novo amigo cachorrinho, que toma conta da casa como se fosse o rei, e por mais chato que seja, nos tira do marasmo, da preguiça, do corpo pesado. "Vamos pra rua !", ele me late todo dia e, querendo ou não, eu pulo da cama por ele e o dia tem que começar, a vida tem que andar. E a vida anda...Fazemos passeios, viagens, ouvimos música, sorrimos, rimos, choramos, damos as coisas do Felipe aos poucos, tudo com a ferida ainda aberta, com o pensamento sempre ligado no nosso anjinho, mas com a vontade de melhorar essa dor de viver sem ele.

Acho que ainda não cheguei na fase do "o tempo cura todas as coisas", que as pessoas tanto falam. Mas estou no caminho, e acredito nisso. Não que cure, mas que amenize. Achei que hoje seria mais fácil que no ano passado, mas não está sendo. Normal, imagino. A vida não é mesmo fácil. Mas aprendi a acreditar que vivemos de momentos. Apesar de termos vivido uma perda que nos marcará para sempre, que não sairá da cabeça jamais, nós ficamos aqui, enquanto ele se foi. Temos a opção de viver mal, em sofrimento, ou buscar uma saída de vida mais leve. Hoje estamos conseguindo pensar em optar pelo segundo caso, e acho que estarei próximo disso quando conseguir fechar os olhos e pensar no toque do meu corpo no corpo no do Felipe, na textura deliciosa da sua pele e do cheiro dele, e com este pensamento eu conseguir sorrir, e não chorar de saudade. Difííícil, mas acredito que um dia eu chego lá.

Hoje espero e tenho buscado "luzes" de esperança na vida que às vezes parece não fazer sentido.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Mãe Desnecessária

Recebi este texto de uma amiga, gostei e estou compartilhando. Não sei quem escreveu...alguém sabe ?

"A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar
do tempo.
Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e
ela sempre me soou estranha. Chegou a hora de reprimir de vez o
impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa,
protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha
hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para
controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da
frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que
significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de
mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos,
como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos,
confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas
escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros
também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão
umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os
dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse
vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em
que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e
recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos
lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no
fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o
conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o
maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto
seguro para quando eles decidirem atracar."

"Dê a quem você Ama :
- Asas para voar...
- Raízes para voltar...
- Motivos para ficar... " - Dalai Lama

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Beatles Num Céu de Diamantes

Depois de tanto tempo dividindo tanta coisa sofrida, acho que eu tenho obrigação de dividir uma das coisas mais lindas que já vivi nesses últimos tempos. Foi o musical "Beatles Num Céu de Diamantes".

Há muito tempo ouço falar sobre ele, mas nunca dei muita bola. Outro dia, passeando pelo Shopping da Gávea, onde estava em cartaz, assim meio como quem não tem nada pra fazer e está tentando voltar a ver o mundo, a gente comprou ingresso para a semana seguinte. E lá fomos nós, sem nenhuma expectativa.

Do momento que começou até o momento final, é uma emoção de arrepiar. Eu me senti como se eu tivesse sido levada para uma outra dimensão, a luz, o figurino, o astral lindo, as interpretações, tudo maravilhosamente perfeito e emocionante. E que me desculpem os Beatles (e os beatlemaníacos), mas muito mais emocionante que eles próprios cantando. Leo e eu nos olhávamos durante o espetáculo e os dois estavam visivelmente emocionados, assim como toda a plateia em nossa volta.

Já viram aqueles livros "1001" tudo (viagens, livros, discos...) que se deve fazer antes de morrer ? Então, essa é, na minha lista, uma das "10 coisas que se deve vivenciar antes de morrer".

Infelizmente saiu de cartaz, mas pelo que vi em um dos vídeos sobre a peça, eles dizem que o musical é "eterno", então eles devem estar se preparando para começar novamente a qualquer momento. Dá vontade de chamar todos os amigos para irem juntos quando voltar, vamos todos ???? E se alguém não gostar, por favor, nem me conta !!

Segue abaixo o link de um vídeo de um dos pontos altos do musical, de um dueto em que um canta "Let it be" enquanto outro canta "Yesterday" e tudo se encaixa perfeitamente bem. Por favor, assistam até o final do vídeo !

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Certeza (Fernando Pessoa)

De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...

Portanto devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...