Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A Grama do Vizinho ...

Recebi hoje um comentário no blog, de uma mãe, Adriana, que me emocionou muito. Entrei no blog dela, e vi uma história muito parecida com a minha, mas com perspectivas bem diferentes, mas em alguns casos, li coisas que parece que fui eu que escrevi. A conclusão que chego é que existe um mundo à parte de mães de crianças especiais que têm tanta coisa a dizer, e todas mais ou menos iguais. O sentimento de mãe é muito parecido, os pensamentos, a dor...Ela escreveu um post no blog dela sobre o meu blog, que achei muito bacana e queria compartilhar com vocês. É só clicar no link abaixo, ou copiá-lo, e aproveitem para conhecer o Antonio Pedro, lindo, lindo !

http://queridoap.blogspot.com/2010/12/grama-do-vizinho-e-sempre-mais-verde.html

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Há certas horas em que não precisamos de paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca.
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama
(...)
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado, sem nada dizer
Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...
Alguém que ria de nossas piadas sem graça
Que ache as nossas tristezas as maiores do mundo
Que nos teça elogios sem fim
E que, apesar de todas esssa mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável...
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado
Ou alguém que apenas diga:
SOU SEU AMOR ! E ESTOU AQUI !
(William Shakespeare)


Esta linda mensagem Leo e eu recebemos de Natal da minha mãe. Perfeito para o momento que estamos vivendo, quietos, quase que somente nós dois o tempo todo, procurando nos confortar com a presença um do outro, para tentar de alguma forma, preencher esse vazio imenso que sentimos na nossa casa, na nossa vida. Não sei o que seria de nós se não tivéssemos um ao outro.

Nosso Natal tem sido muito difícil nos últimos 4 anos. Este só será um pouco pior, então por isso decidimos fugir, vamos ficar fora, bem longe, sem tomar muito conhecimento de Natal nem Ano Novo. Sozinhos, somente nós dois e um mundo de gente desconhecida. Sei que fugir não resolve a dor, porque ela vai junto, mas decidimos assim...

Eu queria desejar um Feliz Natal para todo mundo que me segue aqui no blog, e agradecer a força que tenho recebido. Acreditem que muitas vezes preciso muito das palavras de amizade que recebo aqui.

Eu não sou ninguém para ensinar nada para ninguém, mas sinto muitas vezes que só de saber da nossa história, muitas pessoas repensam suas vidas, seus problemas, e suas reclamações. Isso é do ser humano, tenho certeza que eu sentiria o mesmo. Então eu só queria tentar passar uma mensagem. Não quero ser piegas, vou falar o que todo mundo ouve o tempo todo por aí. Mas acreditem nisso de verdade: a gente perde tanto tempo e energia procurando a felicidade em tantas coisas, em tantos lugares, e na maioria das vezes ela está nas coisas mais simples. Só que normalmente nós só nos damos conta disso quando perdemos essas coisas. Não esperem perder um sorriso, um amigo, um amor, um filho, para dar valor a eles. Olhe para o lado e veja quanta coisa boa você tem, e agradeça todos os dias por elas.

Feliz Natal !

sábado, 11 de dezembro de 2010

1 mês

Hoje faz 1 mês que Felipe nos deixou. Não vamos fazer missa, não vemos muito sentido nisso. Vou no encontro da Arte de Viver (satsang) para descansar minha mente e mandar energias boas para ele. E quem sabe consigo chegar um pouco mais pertinho dele...

Eu ficaria muito feliz se a gente pudesse fazer uma "corrente de energia" para ele. Então queria pedir para quem puder e quiser, às 18h30 de hoje, sábado, 11/dez, fazer uma oração, um silêncio, uma canção, um pensamento, ou seja, qualquer coisa que venha do coração, para que ele possa receber energia boa, de onde quer que ele esteja.

Muito obrigada !

Valéria

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Recomeço

Se a gente não tivesse planejado viagem nenhuma, eu garanto que iria sonhar com alguns dias num pedacinho do céu, chamado Fernando de Noronha, para descansar com o Leo. Eu já conhecia, o Leo não, e por isso eu sei que era pra lá que eu precisaria ir. Mas com sorte foi para lá que havíamos planejado passar nossa lua-de-mel, o lugar perfeito para o que precisávamos agora, ou seja, nos esconder do mundo, de casa, da vida. Confesso que se fosse para qualquer outro lugar, nós teríamos cancelado a viagem.

Foram 7 dias de muito silêncio, sorrisos, choros, cumplicidade, sem telefone, praticamente sem internet, buzina de carro, nada. Fizemos muito mergulho de cilindro, o que é um verdadeiro mergulho no nada, como uma meditação. A única preocupação era em respirar...

Felipe estava em todos os lugares, porque está dentro, muito dentro de mim. Onde eu ia, ele ia junto...Mas eu o via principalmente nos passarinhos...como disse a Marcia...acho que fiquei com isso na cabeça. Às vezes me alegrava e conversava com o passarinho como conversava com o Felipe. Em voz alta mesmo porque não tinha ninguém para me ouvir e me achar louca. Outras vezes achava aquilo tudo uma grande bobagem, meu filho não é passarinho porcaria nenhuma e o que eu faço com essa dor que eu sinto dentro de mim, passarinho ??? Altos e baixos, altos e baixos...e fica a sensação que esta dor nunca vai passar.
É a dor dos últimos 3 anos e 10 meses. Na minha cabeça o tempo todo circula tudo que a gente já passou, tudo que o Felipe passou. Penso no dia que ele se foi, aquela loucura toda num dia só. É estranho dizer que foi tudo de repente. Claro que não foi. Felipe era para ter ido há muito tempo, depois do que fizeram com ele. Os médicos que viam seus exames de cérebro diziam: "como é que ele está vivo ?" Então por algum motivo ele ou alguma força, não sei, nos preparou por quase 4 anos para perdê-lo. Mas naquele dia...eu saí para trabalhar, vim só dar uma olhadinha nele antes de sair para uma reunião e achei algo estranho nele, achei ele pálido...Dali em diante, foi uma sequência de coisas inesperadas até ele "voar". Ainda é difícil ter paz. Penso sim que agora ele está livre, mas ficar em paz porque meu filho se foi é muito forte, significa tanta coisa que eu não consigo esquecer. Não consigo ter paz ainda. Mas eu vou buscar a paz sim. Eu sei que a meditação vai me ajudar, mas preciso dar o primeiro passo...eu chego lá...já cheguei até aqui né ?

Enfim, voltamos ontem, e a volta para casa foi difícil. Difícil por voltar para o silêncio triste da nossa casa, e também por ter que recomeçar a vida, mais uma vez. Hoje estou recomeçando a minha vida pela segunda vez. Talvez por ter trilhado esse caminho tão difícil do nascimento do Felipe até aqui as coisas fiquem mais fáceis? Não sei...Nada se compara à dor da primeira "morte" do Felipe, quando ele nasceu. Foi muito difícil sobreviver até aqui. Mas o recomeço...passamos por mais aquele recente turbilhão de emoções, veio o casamento, a viagem, e agora... ? Eu precisava ficar de "altos" da vida...Quem é que resolve isso ? O presidente, o papa, o governo federal, estadual, quem ??? Eu queria viver no paraíso, sem obrigações, sem nada. Só discutindo e conversando com os passarinhos.

domingo, 28 de novembro de 2010

Um Dia Feliz


Acredito que não existem pessoas felizes ou pessoas tristes. Acredito que alternamos momentos felizes e momentos tristes. Algumas pessoas têm um pouco mais de um que de outro, e não é exagero dizer que nos últimos 4 anos tenho tido mais momentos tristes que felizes. Mas isso não quer dizer que mesmo assim não tenhamos nossos momentos alegres. Ontem foi o dia mais feliz desses últimos 4 anos. Léo e eu nos casamos !

Planejamos essa celebração há alguns anos, mas em todos eles algum problema nos fazia cancelar. Ano passado estava marcado, quando meu pai teve que fazer a cirurgia e se foi. Esse ano marcamos novamente, há 3 meses atrás. Assim mesmo, em cima da hora, pra não ter chance de dar nada errado. Estava tudo planejado para que o Felipe fosse o personagem principal, mais até do que a gente. Porque afinal de contas, ele é o maior responsável pela solidez da nossa união. Mas acho que ele achou a "logística" meio complicada, e resolveu nos assistir lá de cima. Só que ele resolveu isso 2 semanas antes do casamento...Claro, mais uma vez, pensamos em cancelar tudo. Mas algum soprinho atrás da nuca nos deu um aviso que não era para cancelar não...Era pra gente ir lá, oficializar e, principalmente, celebrar a luz e a certeza do nosso amor.

Foi uma cerimônia bastante "aconchegante", pequena, para que a gente se sentisse em casa, acolhidos. E ontem eu me senti especialmente iluminada. Senti Felipe e meu pai mais pertos do que nunca. Mas de uma forma diferente, de uma forma alegre. Uma presença muito intensa, eles estavam lá o tempo todo. A dor da saudade deu lugar a um coração preenchido de amor e de força.
Lá pelas tantas o Felipe me "assoprou" de novo, batendo as perninhas de alegria, no colo do vovô: "vai lá mamãe, faz aquilo que você diz que não faz desde que eu nasci ! Você consegue !" Eu então cochichei no ouvido do meu querido amigo DJ Janot, que nos deu o lindo presente de preencher a nossa festa com seu trabalho maravilhoso, e estimulada pelas amigas, e claro, por algumas bebidinhas... fui, dancei ! Como disse minha amiga Nanda Leal, eu dancei do jeito que eu dançava, quando eu dançava... Era eu, ela disse. Aprendi isso na Arte de Viver: as tempestades vêm e vão, mas nossa essência está sempre lá, intacta, e ontem foi a prova disso. EU estava lá...eu mesmo tinha me esquecido de mim...

Tudo conspirou a favor. A cidade estava aparentemente mais segura (ainda teve isso para tentar atrapalhar!), a juíza Lilah estava inspirada, o dia estava lindo, o pôr do sol parecia encomendado, os amigos com brilhos nos olhos, felizes por nos verem tendo UM DIA FELIZ.

A querida amiga Jane nos disse lindas palavras e convidou todos a rezar a Oração de São Francisco. Meu irmão Paulo entrou comigo, na difícil e especial tarefa de representar nosso pai, alternando com meu outro irmão Luiz Henrique (Zero), que em seguida acompanhou minha mãe, que estava emocionadíssima, no "altar".

Se o amanhã será feliz, não sabemos, então nós vivemos intensamente o nosso Dia Feliz. Ao som de "Dia Branco", do Geraldo Azevedo, tocado e cantado lindamente pelos músicos da Ornamentus, entrei para celebrar COM ALEGRIA nossa união, que hoje tem um elo muito mais forte, que é a alegria e a dor, e o orgulho de termos sido os pais do anjinho mais lindo desse mundo, que agora nos segue de cima e nos conforta.


Dia Branco
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...

Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...

Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...

Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor
Oh! oh! oh...

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo

Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...

Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair

Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...

E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse canto
Esse tão grande amor
Grande amor...

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo



quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Felipe no Céu

(escrito pela tia Marcia Dabul)

Recebemos esta cartinha do Felipe junto com umas lindas flores há alguns dias atrás. Parece até que ele pediu para tia Marcia nos entregar...Achei o máximo, fico só imaginando cada cena dessa...


Recado de um Anjinho

Queria falar três coisas pra vocês. Fiquei pensando que jeito que eu podia dar para ser convincente porque adulto não costuma levar criança muito a sério e, especialmente minha mãe, não é nada fácil de ser convencida... Resolvi então dar um ar científico nessa conversa já que ciência não se contesta, não é? Peguei umas idéias bem legais com gente muito esperta que tem por aqui onde estou.

Primeiro: não deixem seus corações pesarem. Um coração pesado faz a gente não conseguir carregar. E quando a gente não consegue carregar, a gente para, imobiliza. E, acreditem em mim, ficar imobilizado não é nada bom. Prestem atenção: Se o coração pesar, façam duas coisas: saiam por aí, por lugares bonitos, para que essa carga se dissipe no ar. Vai passar de uma área de maior concentração para uma de menor concentração. Mãe! Isso é lei da FÍ-SI-CA!
Vocês podem também experimentar a técnica do abraço de coração. É assim: pega alguém que goste muito de você (tá cheio de gente por aí) e dá um abraço bem apertado. Mas abraça de um jeito que coração encoste em coração. O peso vai sair um pouco de vocês. Essa pessoa pode abraçar outro alguém e assim vai ficando todo mundo mais levinho. Isso é CI-ÊN-CI-A! Chama-se Lei da Dispersão. Aprendi aqui.

Segunda, em especial para meus pais: a razão e a emoção de vocês precisam fazer as pazes. Desde o dia que eu nasci, elas duas entraram em guerra. Tá na hora de fazer um acordo. Quando elas andam em harmonia, a emoção suaviza a razão e a razão apazigua a emoção. O resultado é PAZ. Isso é FI-LO-SO-FI-A! Aprendi com o pessoal daqui também.

A terceira e última coisa é que aqui tá muiiiito legal. Deus tá aqui. Ele sim é O CARA. Chega gente na casa dele sem parar. Vocês pensam que ele cansa, faz cara feia ou fica com vontade de acabar com a festa? Que nada. Cada um que chega parece até que é o primeiro, a festa recomeça na mesma hora. Daqui a gente participa de tudo aí mas também conhece um bando de gente legal que tá aqui. Pai! Isso é TEC-NO-LO-GI-A! Sociedade do conhecimento e da comunicação, sabe? Coisa avançada!

Tem um cara aqui que tá me fascinando. O nome dele é Einstein. Ele fala tão complicado que até agora não consegui entender nada. Ele tem umas teorias. Por enquanto só consegui aprender duas: a teoria de não pentear cabelo e a teoria da careta. Já tô até treinando. Ainda vou aprender as outras teorias dele. Fala de vários tempos, de outras dimensões, sei lá. Vou me esforçar para entender porque acho que só elas vão conseguir explicar o que vocês, pai e mãe, são para mim e o amor entre a gente. Acho que só entendendo de outras dimensões, sabe? Depois eu conto. Ah! Isso é RE-LA-TI-VI-DA-DE!

Tô solto aqui. LIVRE!! Muita coisa para conhecer, fazer e aprender. Muito lugar pra ir. Meu Vô Fabiano de vez em quando me pergunta: molequinho, quando é que você vai sossegar? Quando vai terminar esse programa de hoje? Aí aprendi com um cara engraçado que anda por aqui com um peixe pendurado na mão a dizer assim: Vô, esse é um programa que acaba... quando termina! Fui!

Mãe, arruma uns lugares legais pra gente ir? Aquelas praias que você era especialista, aquelas viagens bacanas. Eu vou com vocês. Pai, bota aquela guitarra para tocar. Eu continuo adorando esse momento. Prestem atenção, eu vou estar lá!
É isso aí pessoal. A gente se vê. De preferência em ruas, praias, parques e bosques. Tenho muitos lugares pra conhecer. Se vocês souberem subir em árvore, vai ficar ainda mais divertido. Como diz aquela música, preciso “conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs”. Essa é do Almir Sater. Esse não tá aqui não. Li no blog mesmo.

O meu novo amigo daqui, o Mário Quintana, me autorizou a dar uma adaptadinha num poeminha que eu queria deixar para vocês quando pensarem em mim. É assim:

Tudo isto que estava aí
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu... passarinho!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sábado, 20 de novembro de 2010

Missa






Ontem foi a missa do Felipe. Este ritual é muito sofrido. A gente revive todo aquele turbilhão de emoções, dor, cumprimentos, tudo de novo...mas do fundo do meu coração, para mim acabou sendo um pouco diferente. Eu saí de casa com medo de enfrentar aquilo tudo de novo, eu estava muito nervosa, mas no final das contas apesar de sofrido, o contato com tantas manifestações de carinho, com tantas mensagens bonitas, com tantos abraços, me ajudou a ter um pouco mais de conforto. É tanta certeza que me passam que o Felipe está bem, que eu não tenho mais a menor dúvida disso, e às vezes meu coração até esboça um sorriso quando penso nele, todo lindo fazendo bagunça "nas nuvens"... dá uma sensação gostosa, apesar de estranha, pois ainda não consigo entender ele estar tão feliz longe da mamãe e do papai...mas sei que isso é puro egoísmo meu...sei mesmo...
Teve a família que mora em Aparecida (SP) que veio e voltou de viagem no mesmo dia, só para estar junto da gente neste momento. Recebi a carta mais linda da D.Adelaide, vovó da Maria Clara (que fez o desenho do Felipe com o arco-iris), que li com calma em casa, com palavras tão lindas e perfeitas, que são um verdadeiro carinho no coração. Foram tantos, mas tantos abraços de coração apertado. É a mesma sensação das mensagens do blog, que são tão importantes pra mim. Sem contar os amigos de sempre, sempre, sempre, que não nos "largam de mão" um segundo sequer, verdadeiros anjos guardiões.
A missa foi uma verdadeira homenagem ao Felipe. O coral da Igreja do Perpétuo Socorro, do Grajaú, veio a nosso pedido, e cantou lindamente diretamente para a alma do Felipe e para os nossos corações.
E teve as doces palavras do Padre José Ricardo, que em tão pouco tempo entendeu nossa história e o significado do Felipe em nossas vidas e nas vidas de tantas pessoas.
Agora estamos "quietinhos", Leo e eu. O silêncio aqui em casa está respeitoso, mais calmo, mais sereno. Um silêncio agora necessário para nós dois, que passamos os últimos dias no limite do limite, precisando nos segurar para estarmos ao lado um do outro. No dia que Felipe se foi, presenciamos e participamos de praticamente tudo, e quando eu ameaçava me descontrolar, o Leo me falava firme, olhando dentro dos meus olhos: eu preciso de você ! E isso me fazia "voltar", por ele, não podia deixá-lo segurando aquela barra toda sozinho. Nosso silêncio agora é de descanso, de saudade, de meditação... Estou feito louca arrumando a casa, lavando louça (nunca lavo !) jogando um monte de coisa fora, separando coisas que não preciso mais...ocupando o dia longo, procurando ocupar a cabeça simplesmente com o sabão e a esponja que lavam a louça...Às vezes o telefone toca. Hoje tia Carmem (uma das técnicas de enfermagem, que mora em nossos corações) nos ligou para saber da gente, pra dizer que nos ama...que saudade sinto da presença dela, porque representava, junto com as outras tias, a presença do Felipe, todo arrumadinho, todo bonitinho e bem cuidado...

Mas nessa arrumaçao toda, eu não mexi nas coisas dele. Entro no quarto, deito na cama dele, choro, durmo, mas não arrumei nada além do que as "tias" já tinham arrumado para nos poupar, quando estávamos no velório. Em algum momento sei que preciso "chegar" lá. Mas talvez por medo de enfrentar, eu fique arrumando o resto da casa toda, para me ocupar e evitar - ou me preparar - para o momento de mexer nas coisinhas dele, nas roupinhas dele. Acabei de entender isso agora, escrevendo...(sinceramente, nem sei o que vou fazer sem esse blog...agora não sei se terá sentido continuar com ele...será ?).

Enfim...enquanto estou aqui (no blog), não posso deixar de dizer que o que hoje me faz sofrer e chorar de dor - e não de saudade - é ainda relembrar toda a história, tudo o que o Felipe passou ao nascer, sendo o bebê mais perfeito do mundo que foi privado de uma vida por causa de uma negligência médica. Nunca vou esquecer tudo o que ele e a gente passou, quando achei que iria morrer de tanta dor e sofrimento. E esse sofrimento durou quase 4 anos, com a gente aprendendo a lidar com uma situação de impotência permanente. Ainda preciso que se faça justiça porque isso não pode acontecer com outras pessoas, e também não pode, porque não pode, ficar impune. O Felipe se foi, e o processo contra a médica, que já corre há 3 anos, nem sequer tem um perito médico aceito pelo juiz. Cada movimento do processo demora quase 1 ano. Isso é revoltante. Isso quer dizer que estamos praticamente no mesmo ponto onde começamos...e Felipe nem está mais aqui para se fazer a perícia...agora só é possível ser feita com os prontuários médicos.

Enquanto lutamos para alguma justiça ser feita, quando a dor bate forte, procuro pensar nas coisas boas e nas pessoas maravilhosas que Felipe nos trouxe. Difícil dormir, mas durmo com minha consciência tranquila, com paz interior, o que imagino - e espero - que não aconteça com esta chamada "médica" e sua equipe. No lugar deles, eu nunca mais teria paz. Mas as pessoas são diferentes né ? Talvez nem lembrem mais quem é Felipe...E assim os dias seguem, feito uma gangorra, com altos e baixos...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Maria Clara - Felipe e o arco-iris

Maria Clara é a princesinha dos nossos "irmãos" Juliana e André (Peixe). Recebi em casa um envelope com um bilhetinho da Ju, junto com esse desenho. Ela disse que quando chegou em casa do trabalho, a Maria Clara tinha feito este desenho, mostrou para ela e pediu para ela me entregar. Disse que era ela, o Felipe, Leo e eu. E falou: "o Felipe no céu com o arco-íris".

Eu queria tanto enxergar através dos olhos dessas crianças, mas enquanto isso, que elas continuem me mandando esses sinais, para me confortar. E como conforta ! Eu consigo até sorrir...Aproveita o arco-íris pra brincar, meu príncipe !

Cartinha da Tia Nanda (fisio) para o Homem Aranha

Tia Nanda é uma alma iluminada. Como ela mesmo diz aí embaixo, acho que nós nos conhecemos de "outro lugar". Ela tinha me dito que tinha começado a escrever uma cartinha para o Felipe durante suas férias, em setembro, logo após seu casamento, em Juiz de Fora. Eu pedi que ela me mandasse. O resultado está aí, após ela ter terminado a carta. Que forma linda que ela conseguiu entrar no espírito da nossa família, fazer parte dela, compreendendo nossos corações e a nossa vida.



Homem Aranha,

Decidi escrever essa cartinha durante as minhas férias. Sentindo muito a sua falta e muito feliz pelo momento que vivo, estou sentada na minha cama do sítio em Juiz de Fora e pensando nos acontecimentos e nas coisas que realmente são importantes na minha vida. Uma delas é você!

Desde o nosso primeiro dia juntos sinto uma vontade incontrolável de te ver todos os dias. A primeira vez que você deitou no meu colo, senti um abraço tão apertado que meu coração sorria de tanta alegria em rever-te. Demorou, mas nos reencontramos. E foi lindo!

Quando sua mamãe abriu a porta para que eu entrasse na sua casa levei o maior susto! Também havia muito tempo que não a via. E depois fui logo sendo apresentada para seu pai. Acho que também já o conhecia de algum lugar, não me lembro onde. E quando vi você no berço! Ai meu Deus!!! Era uma vontade louca de te abraçar, beijar e rir muito como naqueles tempos em que corríamos pela grama do jardim e ríamos sem parar!

No início, nos víamos quase todos os dias. Às vezes aos finais de semana. A gente brincava muito naquela cama que ficava bem pertinho da janela e muitas vezes no chão. Naquele tapetinho todo colorido, lembra? Você gostava mesmo era do chão! Eu te rolava pra um lado e pro outro. Fazia gato e sapato! Rsrsrsrs

Com o tempo você foi crescendo e consequentemente ficando um pouquinho mais pesado e nossas idas ao chão foram ficando mais raras porque levantar com você no colo estava ficando complicado! Mas, outro dia desses, um daqueles, em que eu estava muito mal, muito triste e confusa, brincamos no chão de novo. Era um sábado ou domingo, não me lembro bem. E fiquei quase que a tarde inteira na sua casa, brincando com você, conversando e me distraindo com a mamãe, lembra?

Fiquei dando várias dicas de noiva pra ela! Ela não vai ficar uma noiva linda, Homem Aranha?

Por muitas vezes, Homem Aranha, pensei em desistir. E, na maioria das vezes, você era meu próximo encontro. E o que acontecia???? Você me convencia de que eu não devia fazer isso.

Bom, o tempo foi passando e eu fui entendendo todos os seus movimentos, cada pedido, cada olhar, cada sorriso, cada lágrima. Há quem diga que você não fala, nem ouve. Corajosos. Seu coração fala e ouve mais que qualquer boca ou ouvido. Você até me pediu um tempo para pensar quando te pedi em namoro, lembra? Eu é que não soube esperar...

Lembra aquele dia que passamos uma hora só conversando e cantando? Você estava um pouquinho triste por causa daquilo que estava acontecendo, não é (nosso segredo)? E nós conversamos muito. Eu chorei, você chorou e no final, chegamos à conclusão que aquilo também passaria. E não passou?

E naqueles dias que dançamos a Dança do Pato? Lá vem o pato, pata aqui, pata acolá! Hahahahahahahahaha! Você ama dançar a Dança do Pato. Quando está bem humorado! Quando não... Sai de baixo! Tinha uma época que eu colocava a Dança do Pato todos os dias à tarde e seu tronco ficou com uma mobilidade INCRÍVEL! O meu também! Rsrsrs...

Depois da Dança do Pato, tinha a música da foca. Coitadinha da foca né... A gente ficava rindo da foca brasileira! E depois da música da foca, eu não me lembro qual era porque a gente só ria, ria, ria, e não conseguia prestar atenção em nenhuma outra música.

Sabe, Homem Aranha, por muitos momentos de angústia e tristeza, você foi a pessoa mais importante na minha vida. Eu me revoltava com aquelas situações (que também já conversamos, mais um segredo) e quando eu colocava você no meu colo, você soprava aquela nuvem escura que ficava em cima de mim e seus olhos verdes ficavam como o sol me iluminando. Como é bom saber que você sempre vai soprar a nuvem e iluminar meu caminho com seus lindos e brilhantes olhos verdes!

Ahhh!!! Lembra daquela tia que morria de ciúmes de nós dois???? Hahahahahaha! Ela não sabia que já éramos amigos e que só queríamos matar a saudade! Era engraçado! No final, acho que ela entendeu! Rsrsrsrsrs

Homem Aranha, eu tenho um amor tão grande pela mamãe e pelo papai. Você sabe né? Quando voltei a frequentar a sua casa, algumas pessoas não entendiam porque eu ficava sempre do lado deles. Defendia e entendia todas as atitudes deles com unhas e dentes. Às vezes me estressava um pouco porque seu papai, muito metidinho, queria porque queria entender mais do BIPAP que eu. E não é que ele entende, Homem Aranha! O cara é fera! Descobre tudo!

E a mamãe??? Super, mega, ultra protetora, não me deixava mexer em você quando você estava chorando muito. Ainda bem né! Você não queria mesmo! No meu primeiro dia ela ficou do meu lado, pra saber se eu iria tirar a sua melequinha sem te machucar. Foi muito legal! Saí da sua casa e, rindo à toa, pensei: “não era nada do que tinham me falado. A Valéria é um doce!”

Eles são tão especiais, não é? Fazem tudo por você!

Quando a mamãe resolveu comprar aquela “cama do espaço”, todo mundo reclamou. A cama é alta, é isso, é aquilo. E você??? Se esparramou naquele “camão” delicioso e não estava nem aí. Queria era curtir! E aquele carrinho que veio dos Estados Unidos? Muito Hight Tech!

Ai, Homem Aranha, seus brinquedos também são o máximo né? Suas almofadinhas da Fom, seu bichinhos e amigos. E o Santo Anjo? É o que eu mais gosto, depois do Hypólito. O Hypólito faz tudo: te abraça, apóia seu bracinho e a traquéia do BIPAP, te faz carinho! Ele é demais!

Hoje, 11/11/10 decidi continuar essa cartinha pra você. Chorando muito, com uma dor enorme no peito e uma saudade já sem tamanho, não tenho tantas palavras. Quero te parabenizar pelo homenzinho vitorioso que sempre foi. Eu nunca conheci uma pessoa tão guerreira sabia Homem Aranha?!? Passar por tudo isso e ainda conseguir sorrir? Quem conseguiria? Você conseguiu fazer tudo direitinho. Você foi forte, muito forte. Escalou os prédios mais altos! Salvou muitas “Mary Janes” de momentos difíceis, soprou muitas nuvens e iluminou muitas vidas com seus lindos olhos verdes. Você conseguiu renovar um ciclo na sua e nas nossas vidas da maneira mais digna e engrandecedora possível. Você me aproximou ainda mais do papai e da mamãe. Eles podem até não querer, mas eu não largo deles nunca mais! Acho que já te disse isso: eu gosto muito deles.

Ainda bem Homem Aranha que a vida não tem fim! O que termina são os nossos sofrimentos e angústias. E estamos prontos para a próxima etapa!

Tem alguém muito orgulhoso de você, Homem Aranha! Muito mesmo!

Agora, eu vou morrer de inveja de você. Sabe por quê? Porque você vai correr e brincar naquela grama verdinha junto com o vovô. Vai morrer de rir das nossas trapalhadas e tropeços! Das milhões de vezes que precisei mexer naquele “bendito” BIPAP, ler aquele manual todinho em inglês... Você ficava rindo de mim né seu danadinho! rsrsrsrs

Ah! Homem Aranha! Você consegue imaginar como vai ser quando nos reencontramos?

Vamos brincar muito na mesma grama verdinha, como nos velhos tempo! Vou morder seu pé de pão, vou te cheirar muito e vamos dançar a Dança do Pato por muitas vezes! E vamos rir, rir e rir e viver de rir!!

Um beijo bem gostoso na sua bochecha “gordinha” e esparramada com muita saudade da sua Tia Nanda.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Da Vó Magá

Amo todos os meus netos, mas o meu amor pelo Felipe, é claro, era diferente. Do meu jeito sem jeito eu o amei muito e na nossa convivência ele me ensinou muito. Era bom estar com ele. . Reencontramos todos nós, que convivíamos com ele, a sensibilidade desgastada pela luta do dia a dia. Ele fez, também, com que duas famílias se tornassem uma só. É uma pena que o Fabiano não tenha conseguido chegar até aqui. Mas ele tinha que ir na frente para esperar pelo Felipe. Agradeço a Deus (qualquer que seja Ele) a oportunidade que tivemos de aprender, através do meu bichinho, o que é viver .

Vó Magá

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Missa

Queríamos comunicar que faremos a missa de sétimo dia nesta sexta-feira, dia 19/11, às 18h30, na Paróquia Nossa Senhora da Paz, que fica na Visconde de Pirajá, 339 - Ipanema (em frente à Praça Nossa Senhora da Paz).

Silêncio II

As duas vezes que senti a maior dor no coração, foi o trágico nascimento do Felipe e sua partida. Os abraços que dei no meu irmão e na Valéria nestas ocasiões mostraram-me que a dor da alma é infinitamente maior que a dor física.
Depois de seu nascimento, confesso que procuro alucinadamente conforto e entendimento espiritual. Cheguei perto de alguns entendimentos e estou cada vez mais longe do conforto. Do oriente ao ocidente, descobri que não há conforto. Só existe a luta diária contra os sofrimentos, a descoberta de suas causas, a completa falta de controle sobre determinados acontecimentos, e a melhor forma de encara-los, ultrapassar e conviver com eles. Descobri que viver de coração, mente e braços abertos, encontrar a felicidade no outro, abdicar do conforto da alma enquanto os outros não o atingirem, são simplesmente um modo de viver. Nem melhor, nem pior que outro, apenas o seu jeito de se tornar. Porque nós não “somos”, nós nos “tornamos”.
Não, não vou dizer que sinto e imagino a dor de vcs, porque estaria a anos luz de entender isso. No momento acho relevante que Felipe esteja guardado em nossos corações e que ele continuara eterno porque está em nossa memória.
Tento ser forte para conseguir ajudar vocês, mas vocês conhecem minha fragilidade, decididamente não sou forte e aceito esse fato com pesar.
Fiquei extremamente feliz com a quantidade de pessoas queridas e solidárias ao lado de vocês, e a força que deram e estão dando..Não vou falar de Nelson, Márcia, Zero e Dr João Excepcionais, sem comentários.
Com certeza, a única maneira que posso ajuda-los, é ficar de prontidão, estender meus braços e esperar que o tempo seja generoso e o silêncio anuncie uma nova música, mais branda, harmoniosa, confortante e que vcs nos ensinem e compartilhem tudo que aprenderam.

Bjos

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Flor de Sofia


Não podia deixar de mostrar aqui a mais linda e pura demonstração que o Felipe está bem, vinda da Sofia, uma linda menina, filha da Simone, uma amiga do blog, que infelizmente não conheço pessoalmente, mas de coração.

Que coisa mais linda... Flor de Sofia: Sobre o Felipe anjinho

Silêncio

Difícil começar a escrever, difícil acordar, difícil comer, tomar banho, falar, pensar, difícil viver. Acordei cedo, antes do Leo, e nesse silêncio que está essa casa, vim aqui "desabafar" para não ficar rodando sem rumo pela casa.

Foi tudo muito rápido. Felipe tinha começado uma febre na segunda-feira à noitinha, coisa que há muito tempo não acontecia. Falei com Dr.João, que passou um remédio e logo de manhã cedinho do dia seguinte passou para vê-lo. Disse que estava iniciando um quadro de infecção pulmonar, e entrou logo com antibiótico. Na noite seguinte, ainda teve um pouco de febre e no dia seguinte já estava melhorando, com febre mais baixa, com menos necessidade de oxigênio e mais calminho. Parecia que estava rapidamente respondendo à medicação, como sempre. Na quinta-feira cheguei em casa para almoçar, logo depois da técnica ter me ligado dizendo que ele tinha voltado a fazer febre. Mas quando bati o olho nele, vi que tinha alguma coisa diferente. Ele estava sem cor. Os lábios do Felipe são sempre rosadinhos, e estavam completamente brancos. Pelo telefone com os médicos, começamos a hidratá-lo, mas dali em diante, foi tudo muito rápido. Começou a fazer hemorragia, sangrando pelo nariz, pela gastrostomia, e não era mais possível dar nenhum remédio. Pressão caindo. Dr.João veio correndo do consultório, e quando chegou, bateu o olho nele e chamou Leo e eu para conversar. Felipe estava em choque, a bactéria da infecção passou para a corrente sanguínea, causando um choque séptico, e só poderíamos fazer alguma coisa para ajudá-lo no hospital, pois era necessário um acesso venoso profundo para medicá-lo. Nesse momento, entrei em pânico. Tínhamos um "pacto" que não queríamos internar o Felipe, que faríamos tudo que fosse possível para ele em casa. Mas nessa hora, quem tem coragem ? Dali em diante foi Dr João tentando vaga em alguma UTI pediátrica, não tinha nenhuma vaga, mas acabou conseguindo no Hospital S.Vicente de Paulo, na Tijuca. Espera da ambulância, chega ambulância com sirene quebrada, chovendo, trânsito, mas enfim chegamos com ele vivo. Mas não entrando mais em tantos detalhes, poucas horas depois de uma espera horrorosa, foi numa das várias tentativas de pegar uma veia que meu anjinho desisitiu, não quis mais, cansou. Bateu asas e voou...

Acho que não preciso contar o resto...recebemos o abraço carinhoso de muitos e muitos amigos no velório, e ontem fizemos uma rápida e íntima cerimônia de cremação, com as lindas palavras da amiga Marcia e do meu irmão Zero.

Vivemos hoje o segundo luto pelo Felipe. Quando ele nasceu, aquela tragédia que aconteceu, onde aquele Felipe que esperávamos tinha "morrido" para surgir uma nova e dura realidade. Aprendemos, com muita dor, a cuidar dele, a fazer toda nossa vida em função dele. Com o home-care, nosso pequeno apartamento foi invadido por vários profissionais que vinham cuidar dele. Mas nossa vida estava numa estranha normalidade, havia uma rotina, acordava de manhã e ele já estava todo arrumadinho, sentadinho com os bichinhos amiguinhos dele, esperando mamãe escovar os dentes para depois fazer fisioterapia, quando não tinha outro "compromisso"... Antes de qualquer coisa, eu dava um abraço mais gostoso do mundo de "bom dia". Era o "upa" da mamãe. E aquele suspiro que às vezes ele dava, o cheirinho delicioso, tudo aquilo era combustível para o meu dia começar. Se eu tinha que sair mais cedo por algum motivo e essa rotina era quebrada, meu dia não era o mesmo. Sempre que dava, almoçava em casa, só pra dar uma olhadinha nele e ficar 15 minutinhos que fosse. Quando dava mais tempo, me deitava com ele um pouquinho. E no final do dia, ele era todo meu...Ficava no meu colo com calma, normalmente sozinhos no quarto, curtindo nosso namoro.

Hoje a casa está insuportavelmente vazia. Um silêncio que não acaba. Leo e eu não sabemos o que fazer. Tomo remédio para dormir, mas mesmo assim acordo cedo. Tudo que eu tenho vontade de fazer é dormir...

Nesses quase 4 anos aprendemos a viver cada dia, sabendo da gravidade dele. Não aprendemos o que fazer quando esse dia chegasse. Meu egoísmo me faz sofrer demais, eu sinto falta do corpo dele, da existência material dele, embora saiba que a vida que ele vivia não era legal pra ele e nem tinha perspectiva de melhorar. Sinto nesse momento uma necessidade muito grande de acreditar que ele foi recebido pelo meu pai, que o vovô tá cuidando dele, como no sonho da minha mãe, e que ele está LIVRE e feliz. Mas ao mesmo tempo tudo isso é muito distante, eu preciso ter certeza que ele está bem. Como pode alguém estar tomando conta dele, que não seja a mamãe ??? Estão tomando conta dele direito ? Como uma criança está feliz longe dos pais ? Aí me lembro o que a querida Jane, amiga da minha mãe, nos disse no velório. Felipe era um espírito evoluído. Ele fez tudo que ele tinha que fazer aqui em pouco tempo. E o que ele fez ? Nossa...fez o amor aproximar cada vez mais seus pais, as nossas famílias, nossos amigos conhecidos e desconhecidos. Fez ajudar outras crianças com problemas, fez a gente e tantas outras pessoas verem o mundo com outro olhar, valorizando as pequenas coisas da vida.

Nesses últimos 4 dias ouvi e li de amigos próximos e amigos desconhecidos do blog, coisas lindas, que me confortam de verdade, mas minha maior dor é que eu nunca vou ter a resposta de nada. Eu vou encontrar com Felipe um dia ? A gente vai se reconhecer ? Eu vou ser eu mesma e ele vai ser o Pipo da mamãe ? Que vazio que eu sinto, nem sei explicar.

Aos amigos, nem tenho palavras para agradecer tanta manifestação de carinho. Vejo a dor nos olhos daqueles que eram próximos dele, e com isso eu vejo como esse anjo era especial e transmitia amor e paz para todos à sua volta.

Meu anjinho, fica bem, aproveite a sua liberdade, corra, brinque, ria bastante...nossa dor nunca vai embora, e a saudade...o que eu faço com ela ???? Vamos começar tudo de novo....

Te amarei para toda a eternidade...

sábado, 13 de novembro de 2010

Ele se foi...

Com muita saudade e tristeza dou a notícia do dia que ninguém queria que chegasse. Quinta-feira nosso anjinho nos deixou. Agora ele vive no coração de cada um nós que acompanhou sua jornada.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Into The Wild

Hoje seria aniversário do meu pai, que nos deixou no ano passado. Quanto mais o tempo passa, mais saudades eu sinto dele, mais eu o entendo em coisas que antes não entendia e mais eu sinto a presença dele perto de mim.

Eu quis acordar cedo, queria ter um momento "com ele", e saí às seis e meia da manhã em direção à academia, de bicicleta pela Lagoa. Ninguém, praticamente ninguém na Lagoa, e o dia amanhecendo...no meu som ouvia a trilha sonora da minha vida, do filme "Na Natureza Selvagem", e sentei num deck da Lagoa e num momento de tanta energia, não sei se boa ou ruim, mas senti um calor do abraço do meu pai. Não sei se senti ou se eu quis sentir, mas tudo o que eu queria naquele momento era dar um abraço forte nele.

Segue aí a música para compartilhar com vocês. Aliás, quem não viu, tem que ver esse filme, nem que seja para entender o que eu estou falando e o porquê me identifico com ele. Assim como o protagonista do filme, me sinto um "peixe fora d´água" nesse mundo. Criei meu próprio mundo e só nele me sinto bem. Muita coisa em volta não faz mais muito sentido.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Correria do dia-a-dia


Meus dias andam corridos. Me dá uma angústia muito grande sair de casa de manhã e só voltar à noite, sem dar um beijinho sequer no Felipe durante o dia. Esse não é o mais comum, com frequência consigo almoçar em casa, ou somente dar uma passada só para dar um beijinho nele e ver como estão as coisas em casa.
Normalmente na hora que saio para trabalhar ele está fazendo fisioterapia. Hoje foi com tia Nanda. Esta foto não é de hoje, mas é com essa cena que me despeço quase todo dia de manhã, com Felipe gostoso no colo da tia, alongando o corpinho, todo esparramado...
Se chego em casa tarde, como hoje, me dá peninha de mexer muito nele, porque as tias já deixaram ele gostosinho na cama, de pijaminha, todo bonitinho e posicionado para dormir. E ele realmente dorme...só quem conhece muito bem sabe quando Felipe tá dormindo de verdade e quando tá mais acordadinho. E quando tá "dormindo", dá aquela sensação louca por milésimos de segundos, tipo "deixa ele dormir...não quero acordá-lo", quando tudo que eu queria na vida era acordar meu anjinho...Às vezes deito na cama com ele e faço um momento "conchinha", agarrada com ele, e desejo que o mundo acabe naquele momento porque ali, sentindo aquele cheirinho, aquela pele deliciosa, eu e ele juntos nos bastamos, somos felizes e não precisamos de mais nada. Mas essa sensação dura pouco, o "pé alcança o chão", o mundo não acaba e a vida cheia de obrigações chatas segue e me chama para a realidade...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

1 Ano de Blog

Amanhã o blog faz 1 ano.

Lembro direitinho que foi no Dia das Crianças do ano passado, mais um daqueles dias em que dá uma angústia danada ver o Felipe e pensar em tudo o que ele poderia estar fazendo agora, se as escolhas tivessem sido outras, se meu parto tivesse sido antes do da outra paciente, se eu tivesse escolhido outra médica, se ela tivesse visto o coraçãozinho dele parando e feito alguma coisa, se tivesse feito cesariana, se tivesse puxado a fórceps, se eu tivesse desde o início optado por cesariana, se... se... se...enfim, são milhões de "se" que não levam a lugar nenhum, somente a esta angústia de ver a vida que nosso menino leva. É o menino mais lindo e mais amado desse mundo, mas é muito triste viver isso tudo, muito triste esta sensação de "saudade do futuro" que temos o tempo todo, imaginando o que era para ser o futuro dele há quatro anos atrás, quando eu ainda estava grávida e era a pessoa mais feliz deste mundo.

Então foi num dia desses, não coincidentemente, Dia das Crianças, que meu peito estava cheio de tanta angúsita e revolta com tudo e com a justiça que simplesmente não anda, nada acontece com ninguém, enquanto nós sofremos sozinhos esta luta, que resolvi fazer o blog.

A coisa veio de repente, falei com o Leo e, graças a ele, em poucos minutos o blog "nasceu".
1 ano depois, posso dizer que foi uma das melhores coisas que fiz nesses últimos tempos. Pudemos dividir muita coisa, elucidar muita coisa, e nos aproximar de muita gente que queria chegar perto mas tinha receio, amigos que queriam saber notícias do Felipe mas não queriam ligar por não ter o que dizer, por achar que estavam incomodando, e por vários outros motivos. Com o Facebook agora, mais gente ainda ficou conhecendo o blog (eu atualizo no Facebook toda vez que faço uma nova postagem), e pessoas conhecidas do passado que nem sequer sabiam da nossa história. E amigos dos amigos, e por aí vai. Pelo blog, fiz novas amizades que mantenho com pessoas que nem conheço pessoalmente, de vários lugares do Brasil, gente que passa por lutas semelhantes ou simplesmente se aproximou por nada, por compaixão, por querer estar junto sem nem nos conhecer...enfim, o saldo é 100% positivo. Tenho certeza que não agradamos todo mundo, mas o espírito não é esse. Temos uma história a contar e a dividir, agradar ou não vai do coração de quem entra aqui nesse espaço e da empatia com a gente. Hoje acho bacana sentir que tem pessoas que estão SEMPRE aqui, sempre presentes em nossas vidas, torcendo com a gente, rezando para os que rezam, orando para os que oram, chorando para os que choram, até mesmo rindo, e por aí vai...

Hoje, apesar de muito difícil, é um pouco mais fácil que um ano atrás passar pelo Dia das Crianças, escolher um presente para ele, longe das lojas de brinquedos cheias de crianças alegres. Compramos roupinhas lindas e confortáveis e almofadinhas FOM do Homem-Aranha e outra para apoiar as costinhas dele. Cada dia é um aprendizado, uma estrada a mais que vamos percorrendo e nos acostumando com o caminho.

Nesse 1 ano, Felipe cresceu bastante, passou por umas e outras, mas só tem também a agradecer por todo o carinho e toda essa corrente do bem, de sete mil e tantos acessos, que se fez mais ainda em volta dele.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Notícias

Tem muito tempo que não escrevo...nem tinha noção, mas tem mais de um mês. E o gostoso disso é ver que as pessoas sentem falta, estão me mandando emails perguntando se está tudo bem...legal, fico contente com essa aproximação que o blog trouxe com muita gente.

Felipe está bem, numa fase bem demais. Nenhuma intercorrência grave. Para a gente, hoje, isso é bom. Me dá paz ver meu anjinho em paz. Ainda mais depois das horrorosas queimaduras, que demoraram muito a sarar, e fizeram com que ele ficasse deitadinho para o mesmo lado por quase 3 meses seguidos. E nem assim pegou nenhuma infecção pulmonar. Nosso príncipe é um "tourinho", impressionante como é saudável. Vimos num raio X que o lado do pulmão que ficava para baixo estava um pouco pior que o outro, mas só isso...Ficaram marcas no corpinho dele, mas diante do que foi, é o de menos.

Estamos precisando fazer alguns exames de sangue de rotina, para controle, mas eu até conversei com a pediatra do home-care, a Dra Marcia, que eu olho todo dia aqueles pedidos de exame, minha agenda me lembra que tenho que marcar os exames, mas eu só consigo adiar...É tão sofrido tirar sangue do Felipe, ninguém do laboratório consegue e o Dr João ou Dra Marcia é que acabam tirando. Tem que ser arterial, o que dói mais ainda do que o normal, eu já senti isso na pele e por isso sofro só de pensar nele passando por isso. Eu penso nisso e me dá aquele aperto no peito de sentir a dor que ele vai sentir...tadinho, tá tão tranquilinho. Então resolvi com ela deixar passar um pouco.

O que tem incomodado um pouco são os olhos do Felipe. Como ele fica com o olho entreaberto e não pisca, por mais que a gente passe colírio não dá conta. Em época de tempo seco, os olhos ficam muito feios, inflamados, bem vermelhos. Uma solução que a oftamologista deu há muito tempo atrás foi fazer uma câmera úmida com óculos de natação. Isso mesmo, tadinho, ele fica lá todo gostoso de óculos de natação...mas também incomoda, então fico sem saber como resolver... Outro dia vi o início de um filme chamado "O Escafandro e a Borboleta", de um homem que sofre um acidente e entra em coma, e toda a agonia dele percebendo tudo que estava acontecendo mas sem conseguir esboçar nenhuma reação. Aí o médico chegou e começou a costurar os olhos dele para fechá-los e evitar inflamações, e mostra o nervoso dele, que enxergava, tendo seus olhos costurados...Que agonia ! Nesse momento eu parei de assitir o filme, não aguentei...Mas tudo eu fico pensando no Felipe. A oftamologista chegou a sugerir isso, nossa, que horror! Espero nunca precisar. Enquanto isso, vamos seguindo de óculos de natação. Se alguém tiver alguma ideia, se já ouviu falar alguma coisa que resolva nesse caso, eu gostaria de saber.

Mais uma novidade é que o Felipe está fazendo dieta... ! Temos muita preocupação com o peso dele, pois como não gasta muita caloria, a tendência é de engordar, então a alimentação tem que ser muito controlada para não causar problemas respiratórios e também para a locomoção dele. Ele estava se alimentando somente com um preparado chamado Nutrini, mas agora a nutricionista resolveu voltar com algumas etapas de dieta artesanal, como sopinha e suco. Ele já emagreceu um pouco desde que começou e está crescendo. Tudo perfeitinho...responde a tudo, aceita tudo, nunca vi criança tão saudável (espero que vocês me entendam...), e ainda queriam inventar doença metabólica para ele...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Tocando em Frente

Composição: Almir Sater e Renato Teixeira

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe,
Eu só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder seguir
É preciso chuva para florir

Sinto que seguir a vida
Seja simplesmente
Conhecer a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Cada um de nós compõe
A sua própria história
E cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

sábado, 21 de agosto de 2010

Quanto amor

Tem dias, como hoje, que olho o Felipe todo arrumadinho e cheiroso, depois do banho, com um rostinho tão sereno, rosto de anjinho dormindo, que meu coração parece que vai explodir de tanto amor. Acho que não caberia em mim sentimento diferente desse em relação ao Felipe, eu sinto uma coisa física, parece que enche meu peito de uma coisa que vai fazer explodir, eu tenho vontade de abraçar tanto ele, e colocá-lo de volta dentro da minha barriga, onde eu poderia cuidar dele sem que ninguém fizesse mal a ele...É muito difícil sentir isso tudo sem vir junto o medo do que ainda temos pela frente. Vivemos sim cada dia, sem planos, sem nada, mas como é difícil...

domingo, 8 de agosto de 2010

Papai



Hoje é o seu dia, papai. Como todos os dias, você me deu aquele "bom-dia" espetado, de barba por fazer de fim-de-semana, que mamãe briga porque me deixa todo "empelotado", mas que me deixa suspirando de tanta paixão. Conheço o seu cheiro de papai, sua pele de papai, sua presença de papai, sua lambida de papai...é...porque você também tem essa mania estranha de lamber meu rosto que nem cachorrinho, é estranho...mas o mais estranho é que eu adoro ! Eu sei que você é o meu papai e como eu gosto de saber isso !

Você é aquele cara que aprendeu absolutamente tudo desses aparelhinhos que eu uso para respirar e tudo o mais, e não deixa que nada de ruim aconteça com eles, para nada acontecer comigo. Você aprendeu tudo e hoje ensina para todo mundo, as pessoas que não te conhecem até perguntam se você é médico...E eu fico todo bobo porque você sempre responde: "não, eu sou PAI DO FELIPE !". É legal isso ! É você que me dá a segurança de que tudo vai funcionar bem até mesmo quando acaba a luz e a mamãe fica nervosa. Lembra no apagão, que a mamãe tava viajando ? Ela nem enlouqueceu tanto porque sabia que você estava do meu lado o tempo todo.

Ah ! É você também que traz meu último leitinho toda noite, sempre seguido de uns beijos muito ásperos mas muito aconchegantes. E também nos fins de semana deita comigo na minha cama e dorme de roncar ! Papai, lembrei também daquele dia que você chegou de viagem e meu coração acelerou tanto que chegou a disparar o alarme do monitor cardíaco. Ficou todo mundo assustado. Mas é isso, papai...eu não sei de muita coisa não, mas o que eu sinto quando você está por perto me faz te garantir que você é o melhor pai que eu poderia ter. E tenho certeza que o Lucas também sente o mesmo.

Te amo papai, você é o MELHOR PAI DO MUNDO.

Felipe


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Tio João fisioterapeuta


Fora o pai, só "circulam" no dia-a-dia do Felipe dois homens, ambos chamados João: o Dr. João, pediatra, de quem já falamos, e o João fisioterapeuta, que entrou há bastante tempo no lugar da tia Camila. Finalmente conseguimos tirar foto dele !
A boa notícia de hoje é que o Felipe estava há algum tempo atrás com uma infecção urinária, que foi percebida pelo odor e cor da urina, nem febre o "tourinho" fez...mas o exame de urina confirmou. Tomou 14 dias de antibiótico e reagiu bem. O novo exame após o tratamento não mostrou mais infecção.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Dia agitado...




















Hoje foi um dia movimentado para o Felipe ! Teve fotos da tia nova, Munique, que está com a gente há quase 1 mês, e já entrou para a "turma". Tia Janete que estava junto ajudando no banho, vovó Helena chegou para visitar...só o tio João, fisioterapeuta, que "fugiu" da foto e prometeu pra amanhã...e tia Neide também, nossa ajudante, que sempre foge das fotos...
No final do dia, Felipe recebeu também visita da tia Vania, que não o via há muito tempo.
Ele tava todo gostoso, recebendo tanto carinho o dia todo...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dia do Amigo

Eu acredito que o dia do amigo é absolutamente todos os dias. Mas há certas datas que servem para a gente parar para pensar, refletir, e por que não, agradecer. Estranho agradecer amizade, mas eu queria sim, agradecer aos amigos antigos, aos novos amigos que surgiram no blog, aos que já existiam e eram distantes mas se aproximaram com a chegada do Felipe, aos que eram mais próximos e se afastaram porque não aguentaram, aos que fazem questão de estar sempre juntos, aos que se afastaram porque não sabem o que dizer, mas fazem questão de dizer isso....enfim, tem tantas modalidades de amigos, e todas são válidas. E ao maior amigo de todos, meu marido ! À melhor amiga de todas, minha mãe ! Apesar da vontade de me esconder numa caverna e desaparecer para sempre, vocês me colocam pra frente sempre. Obrigada !
Estranho dizer isso, logo nesse dia, mas fiquei muito abalada com o que aconteceu com o filho da Cissa Guimarães. Desde que soube da morte do filho dela dessa forma estúpida, fiquei pensando no tamanho da dor que ela deveria estar sentindo. O dia inteiro fiquei com o coração apertado. E o tempo todo me lembrava do tamanho da minha dor quando o Felipe nasceu. Que desespero, dá vontade de ligar, abraçar e dizer que entendo o que ela está sentindo. Sei também que isso de nada adiantaria, mas sei lá. Muito louca essa vida. Tudo vai bem, você está sorrindo, olha pra baixo por um segundo e quando levanta a cabeca se depara com um caminhão em alta velocidade na sua frente, que te pega de frente, acaba com você e muda completamente o rumo da sua vida. Sua vida nunca mais será a mesma, por causa de uma estupidez...
A todos os amigos, e "companheiros" de dor, um abraço maior do mundo !

domingo, 18 de julho de 2010

Friozinho...





Fim de semana chuvoso, friozinho gostoso, e Felipe delicioso cheio de roupa quentinha, coisa que ele nunca usa. Passei o fim de semana grudada nele, mais apaixonada do que nunca...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Para-quedas

Dizem que a mente trabalha melhor, como um para-quedas, sempre aberta. Mas depois de meu ‘encontro’ com ‘budas’, vivo com a mente e o coração abertos, como um grande para-quedas e ando praticando a terapia do abraço. Um abraço que posso dar com o coração e o corpo em qualquer pessoa, e isso é importante. Algumas pessoas se assustam, mas depois que passei a praticar com afinco, os resultados tem sido pra lá de satisfatórios. Na verdade não busco resultado, é uma atitude, um modo de relacionar-se com o mundo, uma escolha, um caminho.
Falando em caminho, descubro três elementos importantes neste caminhar. Os Três Tesouros fundamentais para trilhar o caminho espiritual: Humildade, afetividade e simplicidade. Junto com a mente e o coração abertos a jornada tem sido mais agradável.
Com minha prática, minhas idas ao RJ tem sido uma celebração. Desde a comemoração dos 80 anos de nosso pai, até o fim de semana em que me juntei a Leo, Valéria e Felipe. Encontrei Felipe nos braços da fisioterapeuta, grande, saudavel, cercado de todo carinho e amor que lhe é devido. Depois da Arte de Viver encontro Valéria mais aberta, com o coração maior (se é que isso é possível) e respirando melhor. Mas o intuito da viagem era passar um tempo sozinho com meu irmão, falar, abraçar, confessar e compartilhar coisas que só irmãos sentem, mesmo não pronunciando nenhuma palavra. Relaciona-se através de lembranças e laços, confessamos coisas que só coração de irmão permite. Repito, mesmo sem palavras.
Com aqueles que amamos, temos uma memória do coração e uma memória do corpo. No nosso corpo estão gravadas as memórias do coração.

O que a memória ama, fica eterno - Adélia Prado.

Aos que acompanham o blog, seus seguidores e afins, agradeço o carinho, a solidariedade e o amor que compartilham com Felipe, Valéria e Leo.

Vocês são de minha companhia..

Bjos

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Justica

Alem do processo contra a 'obstetra', temos tambem um processo que corre desde 2007, ano do nascimento do Felipe, que foi contra a empresa transportadora que contratamos por intermedio do hospital, para que pudesse transportar um pedaco do musculo do Felipe do Rio para Ribeirao Preto, para fazer biopsia e analise de uma possivel doenca metabolica.

Este material foi retirado do Felipe durante a mesma cirurgia em que ele fez a traqueostomia e gastrostomia, quando ele tinha 1 mes de vida, e quando tambem foi retirado um pedaco da pele tambem para fins de analise laboratorial. Por recomendacao medica, aproveitamos a anestesia geral, que ja seria dada de qualquer forma nesta cirurgia, para retirar esse material. Nao queriamos nem seria recomendado no quadro dele uma outra cirurgia somente para isto, tomando outra anestesia.

O que aconteceu foi que simplesmente o material (musculo) chegou no local de destino descongelado, improprio para o exame. Transportaram um orgao humano no decorrer de 2 dias (!) usando meios de transporte surreais, e nao colocaram gelo seco nem nada apropriado para o armazenamento durante o transporte. Somente gelo comum no isopor. Ate o vendedor de sorvete na praia sabe que derrete... Ficamos atordoados de ter submetido Felipe a mais um sofrimento em vao. Foi feito um corte grande no bracinho dele, levando alguns pontos para fechar. Ele tem a cicatriz ate hoje. O exame foi substituido por varios outros no decorrer do tempo, que teriam sido desnecessarios.

O processo correu de forma surreal, eu fui inclusive citada como responsavel pelo armazenamento do material no isopor ! Com testemunha apontando para mim e tudo !

Enfim, diante disso tudo, a unica coisa que pretendemos eh fazer justica, eh fazer com que este tipo de erro nao aconteca novamente com mais ninguem, mesmo que a grande vitima para que isso seja possivel seja nosso filho. O mesmo pensamento vale para a chamada 'obstetra' .

Esta semana teve o julgamento final, e ganhamos a causa na justica. O valor eh ridiculo, o tempo para se concretizar idem. Se entrarmos numa de comparar com os valores que tanta gente ganha com causas tao menos nobres, eh uma falta de respeito com meu filho e com a gente, mas enfim, isto nao vem ao caso. Nao mesmo. O que interessa eh que a justica foi feita, e que esta empresa foi penalizada de alguma forma. Ninguem precisa se preocupar em saber o nome da empresa pois, mesmo que queiram, eles nao prestam mais este tipo de servico de transporte...

(desculpem a falta dos acentos, eles nao existem no meu teclado novo, ou eu que nao os achei ainda...)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Meu Pai


Depois que meu pai se foi, tivemos que passar pela dura tarefa de arrumar as coisas dele em casa, suas roupas, fotos, documentos, enfim, aquele momento horrível que muita gente já deve ter passado. E abrindo uma gaveta do escritório dele, me deparei com um monte de folhas com coisas escritas por ele. Meu pai gostava muito de escrever. Era uma especie de diário, iniciado dias após o nascimento do Felipe, e era ora ele escrevendo para o Felipe ou como se fosse o Felipe. Eu não aguentei ler aquilo até o final, era demais... Peguei pra mim, e guardei numa gaveta, achando que algum dia eu teria coragem de ler...Nunca tive...Hoje eu abri a gaveta e dei de cara com esses papéis. Hoje faz 1 ano da ida do meu pai. Não sei o que me deu, mas comecei a ler, e não preciso explicar o estado em que fiquei (em que estou, na verdade, isto acabou de acontecer...).

Todos nós, inclusive os médicos do meu pai, sempre achamos que o que acabou com a vida dele foi a dor com o que aconteceu com o Felipe. Meu pai, médico pediatra, tão respeitado, que curou e cuidou de tantas crianças, que fez o bem para tanta gente, se via numa situação de grave erro médico justamente com o netinho dele...e ele não podia fazer nada, absolutamente nada para reverter o que fizeram...Meu pai teve câncer de laringe, teve que tirar a laringe e se submeter a uma traqueostomia na mesma época que o Felipe estava internado, e no mesmo hospital. Era o Felipe em um andar, e meu pai no outro... Com esta cirurgia, meu pai deixou de falar...teve que reaprender aos poucos, de outras formas, mas era muito difícil. E acho que no fundo isto selou o fim da vida dele, acho que ele deixou de querer dizer alguma coisa depois que o Felipe nasceu. Mas o coração dele não... Ele sempre deixou claro que entendia que o caso do Felipe não tinha muita saída, mas lendo o que escreveu, sinto que até ele às vezes tinha uma esperança...

Hoje é um dia triste. Este blog não tem como ser alegre e para cima o tempo todo. Quando me deparei com estas palavras do meu pai, queria muito abraçá-lo, sem dizer nada, como ele fazia comigo praticamente todos os dias naquele hospital, lá em casa...ele não vai ler esse blog, mas sei que está sentindo minha energia para ele. Então queria só mostrar um pouquinho do que se passava no coração do meu pai, e pedir licença a ele por invadir sua "privacidade". Mas acho que não iria se importar com esta homenagem a ele.

"Felipinho querido do vô. Você estava bonito, cheiroso e arrumadinho. Dormindo o sono dos inocentes. Eu disse sono. Muitos vieram lhe visitar. Também estavam lá seus adoráveis pais que não te abandonam nunca...Estou vendo como você está engordando, seu comilão. Sabe, cada vez que estou perto de você, mais perto fico do menino Jesus, e nós 3 juntos fazemos um trio do barulho. Aliás sempre chegam notícias de crianças dorminhocas como você e que acordaram sem maiores problemas. Só que custa um pouquinho de tempo. Meu coração está junto do seu, transplantado, tentando de todos os modos te ajudar nesse momento. Cada vez te amo mais. Cada dia sou mais seu avô. Beijo no seu rostinho corado, Vô "

"Meu anjinho: batemos um longo papo hoje. Minhas palavras eram minhas lágrimas. Você só ouvindo. Amanhã vovô vai ser operado. Vamos rezar. Vô"

"Querido, hoje conversamos bastante e sozinhos. A solidão nos inspira e nos aproxima. Você estava mais calminho, apreciando o cafuné que o vovô fazia. Uma fungada no pescoço"

"Meu Pai, eu quero ouvir, falar, ver o esplendor da luz com meus olhinhos azuis, quero sentir, chorar, ouvir. Quero respirar sozinho, só me deixaram por 1 dia. Quero sentir o batimento do meu coraçãozinho no compasso da grandeza divina. Quero tudo e não tenho nada. Mas tudo vai mudar...."

Esse era meu pai, um pedacinho dele. Que saudade...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sobre Cuidar

Para minha amiga Valéria:

Estou lendo um livro de Leonardo Boff que se chama Saber Cuidar. O objeto do “cuidar” é geral: cuidar dos filhos, do(a) amado(a), dos parentes, amigos, do próximo, de si, da natureza, da vida entre outros “cuidares”.

Quando li um trecho onde ele define o profundo sentido da palavra Cuidar, pensei que, ou ele escreveu para você, ou se inspirou em uma pessoa como você.

É assim:

“Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.”

Então dedico a você. Uma amiga querida que fez da atitude de cuidar uma razão para viver.

Um carinhoso beijo,

Márcia

sábado, 12 de junho de 2010

Dia dos Namorados


Meu namorado é meu marido, o pai do meu filho, o "Pai do Felipe", meu melhor amigo, meu companheiro de mais lágrimas e menos risos, mas com ele, somente com ele, meu riso vem de dentro, e minha lágrima é tão compreendida. Te amo e quero ser sua eterna namorada.
Essa música eu fiz pra você (e a Marisa Monte copiou....brincadeirinha....)

Velha Infância
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância

Seus olhos, meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só

Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito

Eu gosto de você...


Viagem




Estive fora por 10 dias. Viajei com minha grande amiga Flora, fui resolver umas coisas de trabalho e aproveitei e tirei uns dias para passear um pouco. Eu já viajei algumas vezes desde que o Felipe nasceu, e em todas elas me arrependia no meio do caminho, sofria muito e me prometia que nunca mais faria isso. Mas, não sei muito bem porque, dessa vez foi diferente. Eu me senti um pouco mais leve, sei lá. Eu senti MUITA saudades do Felipe e do Leo, isso não tinha como ser diferente. Esta saudade era contornada vendo-os e conversando todos os dias pelo skype. Ver o Felipe quando eu estou fora faz toda a diferença. E o fato do Leo ter ficado foi mais um motivo para me dar mais segurança, pois sei que ele cuida do Felipe muito bem. As avós estão sempre presentes ...E além disso, a equipe de "tias" do Felipe está ótima, cuidando dele, dando colinho para ele, fazendo massagem, tudo que sabem que ele gosta e que eu gosto que elas façam, principalmente na minha ausência...Cheguei de viagem e o quarto do Felipe estava todo enfeitado com bolas azuis com fitinhas penduradas, e com 2 cartazes dizendo "Bem vinda, mamãe. Saudades, Felipe"... e foram elas, as "tias" que prepararam tudo...fiquei muito emocionada. Muito legal.

No dia em que eu viajei, eu recebi o comentário da "mperri" do meu post "Consciência". Quem não leu, vale a pena voltar lá e ler. Gostei muito do que ela escreveu, e gostaria de dizer aqui que concordo absolutamente com tudo, concordo que as crianças não são culpadas por estranharem o diferente, pois são puras, o que ainda assim não tira a dor de quem está do outro lado, sentindo, percebendo, vivenciando o fato de ser diferente. Mas é a família sim que deve desde cedo colocar as crianças em contato com o diferente, ensinando-as a aceitar e respeitar. A verdade é que na maioria das vezes eu percebo que os próprios pais não sabem lidar com a situação, não saberiam o que dizer para seus filhos, e como ensinar uma coisa que eles mesmo não sabem, não é mesmo ? Melhor deixar "rolar". E não estou falando somente de estranhos na rua não...Eu não tenho a intenção de mudar o mundo pelo fato de meu filho estar no lado "diferente", infelizmente não tenho este poder, só tenho esta dor. Se o mundo fosse feito de mães como você, "mperri", com certeza nós, "os diferentes", sofreríamos um pouco menos a dor da consciência da nossa situação. E tenho certeza que qualquer mãe que ama seu filho sabe o quanto é difícil ver nosso filho passando por qualquer simples situação de rejeição, por mais que a gente entenda o outro lado. Nós viramos "leoas", querendo proteger nossa "cria" de qualquer coisa ruim. E a minha proteção, dentro da situação do Felipe, é preferir que ele não perceba nada disso. Ele é meu príncipe, lindo, maravilhoso, gostoso, cheiroso, a criança mais amada desse universo, e quero que ele sinta somente isso na sua vidinha tão difícil.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Consciência

Sabe que eu procuro ter esse lado "Arte de Viver", onde eu sinto paz, procuro ter paz, mas na realidade é para balancear com a sensação que muitas vezes eu tenho de que a vida é um pesadelo. Não por causa do Felipe somente, mas no dia-a-dia sinto sensações tão ruins pelas ruas, que não consigo muito bem entender o significado disso aqui, da vida, da humanidade. Começando por coisas muito básicas, como eu entrar no elevador e dar "bom dia" e a pessoa não responder. Ou as pessoas que fazem o que querem no trânsito, sem respeitar nada nem ninguém. Pessoas que adotam crianças para espancar e usá-las para extravasar suas insanidades. Outras que estacionam seus carros na vaga de deficiente, porque só vão ficar um minutinho...Os carrões maravilhosos e imensos que estacionam em cima da calçada do PlayGym, escolinha ao lado da minha casa, não deixando espaço para as crianças de cadeiras de rodas que passam por ali para poderem atravessar a rua e irem na ABBR fazer um tratamento... Estas têm que ir pelo meio da rua, porque a calçada está ocupada com os carrões. Essas pessoas colocam suas vontades e necessidades acima de qualquer coisa, esquecendo, ou desconhecendo conceitos básicos de convivência, de respeito, educação. Tem muita gente assim, e não estou falando de gente humilde não...muito pelo contrário.

Mas o pior de tudo isso, o que tem acabado comigo é ver tanta criança sofrendo nesse mundo. Morando muito perto da ABBR, diariamente me deparo com crianças deficientes, que vêm de muito longe, muitas vezes de ônibus, no colo das mães, para fazerem um tratamento. Cada criança dessa que eu me deparo na rua eu fico arrasada, e muitas vezes chego a chorar sozinha andando pelas ruas. E aí eu paro e penso que meu próprio filho é pior que todas elas. Ele nem sai da cama, nem abre os olhos...mas aí eu chego na questão que me dói mais. Essas crianças têm uma coisa que o Felipe não tem, que é a consciência dos seus problemas. Elas podem ser felizes, muitas vezes são, claro, mas não estão livres dos preconceitos, dificuldades, maldades inerentes a outras crianças. Eu cheguei à conclusão que é isso que me faz sofrer mais, é imaginar a dor dessas crianças diante de suas deficiências. E eu penso muito nisso em relação ao Felipe, pelo menos ele não sofre por não ter consciência da sua condição. Quem sofre mais é a gente, e eu sei muito bem como dói ver por exemplo uma criança sair de perto do Felipe, com MEDO dele...já vivenciei isso algumas vezes, até mesmo dentro da minha própria casa...é uma "facada no peito" para nós, seus pais, imagina se ele conseguisse ver e entender isso...Às vezes fico pensando se o Felipe melhorasse muito, ele ficaria ainda muito ruim, e acho que neste caso eu prefiro que ele viva o mundinho protegido dele, e que deixe que nós sofremos por ele.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Felipe e mamãe nas nuvens...

Eu tenho feito com mais disciplina as respirações que aprendi na Arte de Viver nesses últimos dias, agora que as coisas estão mais calmas com o Felipe. Faço em casa, e também tenho ido uma vez por semana na Arte de Viver fazer em grupo, que é uma repiração mais longa e cujos efeitos para mim são mais fortes, eu consigo meditar mais profundamente.

Na segunda-feira foi um desses dias que fui lá. Eu sempre fico na dúvida se estou meditando ou se estou dormindo, mas acho que estou sim meditando, minha mente fica leve, quase sempre vazia, meu corpo absolutamente paralisado mas leve, e eu me sinto muitas vezes no lugar do Felipe...é uma sensação estranha, mas não é ruim, pois eu sinto que de alguma forma estou me igualando à situação dele, que só respira, e não mexe nada...eu sempre me sinto muito próxima dele.

Mas na segunda-feira, fui surpreendida com um grande sorriso meu durante a meditação...na minha menste só passava a imagem do Felipe e eu brincando, em cima de umas nuvens bem bonitas, aquelas onde moram os anjinhos... eu com ele nos meus braços, jogando ele pra cima, brincando, e ele gargalhando com a mamãe...ele tava adorando ! Que gostosa essa sensação ! Não senti tristeza, acho que sentiria se eu estivesse numa outra situação, mas ali eu só consegui abrir um sorriso que veio de dentro do meu coração (e não aqueles que eu acostumei a colocar no meu rosto no dia-a-dia), me parecia uma mensagem dele dizendo que está tudo bem com ele...que ele está bem, em paz, e que nós dois juntinhos somos felizes e estamos em paz dentro do nosso mundinho chamado AMOR.