Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sobre Cuidar

Para minha amiga Valéria:

Estou lendo um livro de Leonardo Boff que se chama Saber Cuidar. O objeto do “cuidar” é geral: cuidar dos filhos, do(a) amado(a), dos parentes, amigos, do próximo, de si, da natureza, da vida entre outros “cuidares”.

Quando li um trecho onde ele define o profundo sentido da palavra Cuidar, pensei que, ou ele escreveu para você, ou se inspirou em uma pessoa como você.

É assim:

“Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.”

Então dedico a você. Uma amiga querida que fez da atitude de cuidar uma razão para viver.

Um carinhoso beijo,

Márcia

sábado, 12 de junho de 2010

Dia dos Namorados


Meu namorado é meu marido, o pai do meu filho, o "Pai do Felipe", meu melhor amigo, meu companheiro de mais lágrimas e menos risos, mas com ele, somente com ele, meu riso vem de dentro, e minha lágrima é tão compreendida. Te amo e quero ser sua eterna namorada.
Essa música eu fiz pra você (e a Marisa Monte copiou....brincadeirinha....)

Velha Infância
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância

Seus olhos, meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só

Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito

Eu gosto de você...


Viagem




Estive fora por 10 dias. Viajei com minha grande amiga Flora, fui resolver umas coisas de trabalho e aproveitei e tirei uns dias para passear um pouco. Eu já viajei algumas vezes desde que o Felipe nasceu, e em todas elas me arrependia no meio do caminho, sofria muito e me prometia que nunca mais faria isso. Mas, não sei muito bem porque, dessa vez foi diferente. Eu me senti um pouco mais leve, sei lá. Eu senti MUITA saudades do Felipe e do Leo, isso não tinha como ser diferente. Esta saudade era contornada vendo-os e conversando todos os dias pelo skype. Ver o Felipe quando eu estou fora faz toda a diferença. E o fato do Leo ter ficado foi mais um motivo para me dar mais segurança, pois sei que ele cuida do Felipe muito bem. As avós estão sempre presentes ...E além disso, a equipe de "tias" do Felipe está ótima, cuidando dele, dando colinho para ele, fazendo massagem, tudo que sabem que ele gosta e que eu gosto que elas façam, principalmente na minha ausência...Cheguei de viagem e o quarto do Felipe estava todo enfeitado com bolas azuis com fitinhas penduradas, e com 2 cartazes dizendo "Bem vinda, mamãe. Saudades, Felipe"... e foram elas, as "tias" que prepararam tudo...fiquei muito emocionada. Muito legal.

No dia em que eu viajei, eu recebi o comentário da "mperri" do meu post "Consciência". Quem não leu, vale a pena voltar lá e ler. Gostei muito do que ela escreveu, e gostaria de dizer aqui que concordo absolutamente com tudo, concordo que as crianças não são culpadas por estranharem o diferente, pois são puras, o que ainda assim não tira a dor de quem está do outro lado, sentindo, percebendo, vivenciando o fato de ser diferente. Mas é a família sim que deve desde cedo colocar as crianças em contato com o diferente, ensinando-as a aceitar e respeitar. A verdade é que na maioria das vezes eu percebo que os próprios pais não sabem lidar com a situação, não saberiam o que dizer para seus filhos, e como ensinar uma coisa que eles mesmo não sabem, não é mesmo ? Melhor deixar "rolar". E não estou falando somente de estranhos na rua não...Eu não tenho a intenção de mudar o mundo pelo fato de meu filho estar no lado "diferente", infelizmente não tenho este poder, só tenho esta dor. Se o mundo fosse feito de mães como você, "mperri", com certeza nós, "os diferentes", sofreríamos um pouco menos a dor da consciência da nossa situação. E tenho certeza que qualquer mãe que ama seu filho sabe o quanto é difícil ver nosso filho passando por qualquer simples situação de rejeição, por mais que a gente entenda o outro lado. Nós viramos "leoas", querendo proteger nossa "cria" de qualquer coisa ruim. E a minha proteção, dentro da situação do Felipe, é preferir que ele não perceba nada disso. Ele é meu príncipe, lindo, maravilhoso, gostoso, cheiroso, a criança mais amada desse universo, e quero que ele sinta somente isso na sua vidinha tão difícil.