Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



terça-feira, 10 de maio de 2011

Reencontrando a Felicidade

No final de semana passado estreiou nos cinemas o filme Reencontrando a Felicidade, que mostra a vida difícil de um casal, 8 meses após a morte de seu único filho, de 4 anos. A Nicole Kidman faz a mãe da criança, e inclusive foi indicada ao Oscar de melhor atriz por sua atuação neste filme, mas não ganhou.


Todo mundo deve achar que eu sou louca de querer ver um filme desses né ? Pois eu já tinha assistido ao trailler na internet, e com tanta identificação com tão poucas cenas, senti uma necessidade imensa de assistir. Não sei porquê. Auto flagelo ? Loucura total ? Necessidade de saber que o que eu vivo e sinto é normal ? Enfim, não sei... Mas acontece que pedi ao Leo para ir comigo e claro, ele não queria de jeito nenhum. Mas como eu falei que precisava muito que ele fosse comigo, ele ficou sem saber, mas pediu para eu perguntar para a psicóloga o que ela achava disso. Ela quase me proibiu, mas diante da minha insensata insistência, falou para eu dar um jeito do Leo baixar o filme na internet pois, se eu fosse ver, que fosse em casa e não no cinema. Nem foi preciso, pois eu passei distraidamente na locadora e sem nem procurar, o filme estava lá, olhando pra mim...Claro que eu alguei, e numa sexta-feira a noite, véspera de Dia das Mães, lá fui eu assistir em casa. O Leo "deu um jeito" de não assistir comigo. Assisti sozinha.


No fundo eu também estava com medo de ficar muito mal, mas acabei não ficando. Mas fiquei realmente boba de ver que parecia que era o filme da nossa vida, com exceção que era uma criança com a vida normal, que morreu atropelada correndo atrás do cachorro. Só que o sentimento, a vida, o dia a dia, o vazio, é tudo igual. Isso, no fundo, me deixou quase confortada, de ver que esses sentimentos devem ser normais, tanto que fizeram um filme e, sem nem me perguntarem nada, falaram tudo sobre mim...Estranho foi quase não ter chorado no filme. Não assistam porque é claro que é de chorar, mas acho que porque eu já chorei e choro tanto por tudo aquilo, nem me chocou tanto. Achei bacana que não mostram a morte da criança mas sim a vida após um certo período, quando a "poeira baixou" e a vida tem que continuar. No final, quase dá uma esperança, mas sem ser piegas, vida de verdade...


Outra coisa que me identifiquei foi com a visão sobre o significado disso tudo. Enquanto muitas pessoas, das quais sinto uma certa inveja, se consolam na vontade de Deus, a mãe (Nicole Kidman) fala uma hora para outra mãe, que disse que Deus levou seu filho porque precisava de um anjo: "mas por que Ele não fez um outro anjo ? Ele é Deus, afinal das contas !" Quando falou isso, todo mundo olhou pra ela com olhar de reprovação, como se fosse um E.T.


Só não consegui me enxergar na necessidade dela em se aproximar do rapaz que atropelou o filho dela. Acho que eu preciso morrer e nascer de novo muitas vezes para evoluir desse jeito...o perdão, no meu ponto de vista, não tem que partir de mim. Não consigo perdoar quem não pede perdão...(Eu sei o que todo mundo vai dizer, mas eu não consigo !!!)


Leo disse que vai assistir qualquer dia desses.