Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



sábado, 12 de junho de 2010

Viagem




Estive fora por 10 dias. Viajei com minha grande amiga Flora, fui resolver umas coisas de trabalho e aproveitei e tirei uns dias para passear um pouco. Eu já viajei algumas vezes desde que o Felipe nasceu, e em todas elas me arrependia no meio do caminho, sofria muito e me prometia que nunca mais faria isso. Mas, não sei muito bem porque, dessa vez foi diferente. Eu me senti um pouco mais leve, sei lá. Eu senti MUITA saudades do Felipe e do Leo, isso não tinha como ser diferente. Esta saudade era contornada vendo-os e conversando todos os dias pelo skype. Ver o Felipe quando eu estou fora faz toda a diferença. E o fato do Leo ter ficado foi mais um motivo para me dar mais segurança, pois sei que ele cuida do Felipe muito bem. As avós estão sempre presentes ...E além disso, a equipe de "tias" do Felipe está ótima, cuidando dele, dando colinho para ele, fazendo massagem, tudo que sabem que ele gosta e que eu gosto que elas façam, principalmente na minha ausência...Cheguei de viagem e o quarto do Felipe estava todo enfeitado com bolas azuis com fitinhas penduradas, e com 2 cartazes dizendo "Bem vinda, mamãe. Saudades, Felipe"... e foram elas, as "tias" que prepararam tudo...fiquei muito emocionada. Muito legal.

No dia em que eu viajei, eu recebi o comentário da "mperri" do meu post "Consciência". Quem não leu, vale a pena voltar lá e ler. Gostei muito do que ela escreveu, e gostaria de dizer aqui que concordo absolutamente com tudo, concordo que as crianças não são culpadas por estranharem o diferente, pois são puras, o que ainda assim não tira a dor de quem está do outro lado, sentindo, percebendo, vivenciando o fato de ser diferente. Mas é a família sim que deve desde cedo colocar as crianças em contato com o diferente, ensinando-as a aceitar e respeitar. A verdade é que na maioria das vezes eu percebo que os próprios pais não sabem lidar com a situação, não saberiam o que dizer para seus filhos, e como ensinar uma coisa que eles mesmo não sabem, não é mesmo ? Melhor deixar "rolar". E não estou falando somente de estranhos na rua não...Eu não tenho a intenção de mudar o mundo pelo fato de meu filho estar no lado "diferente", infelizmente não tenho este poder, só tenho esta dor. Se o mundo fosse feito de mães como você, "mperri", com certeza nós, "os diferentes", sofreríamos um pouco menos a dor da consciência da nossa situação. E tenho certeza que qualquer mãe que ama seu filho sabe o quanto é difícil ver nosso filho passando por qualquer simples situação de rejeição, por mais que a gente entenda o outro lado. Nós viramos "leoas", querendo proteger nossa "cria" de qualquer coisa ruim. E a minha proteção, dentro da situação do Felipe, é preferir que ele não perceba nada disso. Ele é meu príncipe, lindo, maravilhoso, gostoso, cheiroso, a criança mais amada desse universo, e quero que ele sinta somente isso na sua vidinha tão difícil.

Um comentário:

  1. Ele é o príncipe, teu e de todo mundo que acompanha a tua história! Fibra, coragem e dedicação! De você tiro coragem e me inspiro em ser uma mãe melhor (porque perfeita nunca seremos, né?)
    Obrigada por compartilhar teu coração e nos dar a chance de ver que viver é bem mais do que ficar nadando em mar de rosas! viver é encarar tudo com cabeça erguida!
    Mais do que nunca, nesse momento, essa tua força está me inspirando... meu momento difícil se torna menos torturoso quando sei que há meios de encarar o medo! Há, sim, formas para não se acovardar!
    Obrigada!

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