Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Mais um ano se passou

Tem um ano que não escrevo. Penso várias vezes em acabar com o blog, mas não tenho coragem. Sinto a mesma dificuldade como se fosse jogar um álbum de fotos do Felipe fora. Não tem como...Outras vezes penso em escrever, e também não acho coragem. Não coragem de escrever propriamente dita, porque na maioria das vezes tenho vontade de escrever sobre assuntos amenos, e não sobre tristeza. Sobre alegria até, como é ainda possível ser alegre às vezes e muitas coisas bacanas que tenho vontade de compartilhar. Mas me falta coragem de entrar aqui nesse "mundinho" do meu próprio blog, e de rever as coisas. A mesma dificuldade de abrir um álbum de fotos do Felipe. É bom mas é ruim. É difícil.

Hoje a coragem veio. Ou a necessidade. Que importa ? Hoje Felipe faria 6 anos. Hoje é o terceiro aniversário sem ele aqui. Hoje é o sexto ano que esta data é um dia difícil de se viver. Era difícil de comemorar com o coração quando ele estava aqui, diante do seu estado e toda a história de sofrimento. É difícil não desejar que ele estivesse aqui hoje. É tudo muito difícil. Tudo o que eu queria era ter meu filho brincando do meu lado, cantando parabéns, correndo pela casa, e eu saindo cedo do trabalho para estar com ele, e não precisando ficar em casa no dia de hoje por não aguentar o peso deste dia.

Neste último ano em que não "apareci" por aqui, a vida andou. Tomamos várias decisões para renovar as energias, como mudança de casa, de trabalho, a "permissão"da chegada de um novo amigo cachorrinho, que toma conta da casa como se fosse o rei, e por mais chato que seja, nos tira do marasmo, da preguiça, do corpo pesado. "Vamos pra rua !", ele me late todo dia e, querendo ou não, eu pulo da cama por ele e o dia tem que começar, a vida tem que andar. E a vida anda...Fazemos passeios, viagens, ouvimos música, sorrimos, rimos, choramos, damos as coisas do Felipe aos poucos, tudo com a ferida ainda aberta, com o pensamento sempre ligado no nosso anjinho, mas com a vontade de melhorar essa dor de viver sem ele.

Acho que ainda não cheguei na fase do "o tempo cura todas as coisas", que as pessoas tanto falam. Mas estou no caminho, e acredito nisso. Não que cure, mas que amenize. Achei que hoje seria mais fácil que no ano passado, mas não está sendo. Normal, imagino. A vida não é mesmo fácil. Mas aprendi a acreditar que vivemos de momentos. Apesar de termos vivido uma perda que nos marcará para sempre, que não sairá da cabeça jamais, nós ficamos aqui, enquanto ele se foi. Temos a opção de viver mal, em sofrimento, ou buscar uma saída de vida mais leve. Hoje estamos conseguindo pensar em optar pelo segundo caso, e acho que estarei próximo disso quando conseguir fechar os olhos e pensar no toque do meu corpo no corpo no do Felipe, na textura deliciosa da sua pele e do cheiro dele, e com este pensamento eu conseguir sorrir, e não chorar de saudade. Difííícil, mas acredito que um dia eu chego lá.

Hoje espero e tenho buscado "luzes" de esperança na vida que às vezes parece não fazer sentido.

5 comentários:

  1. Zero de comentários....é engraçado. Cada pessoa toma um rumo, vidas normais....Só uma sugestao despretenciosa: tenha um cao,...de preferencia adote uma vida. Nao pague por uma. É encantador dar amor a eles. abraços e vida longa!

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  2. Que bom vc por aqui de novo!
    Também abandonei o blog, mas sempre estou por aqui vendo as postagens dos blogs do qual participo, como o seu... Não acabe com o blog não, é importante p vc, é a sua historia e tenho certeza que as pessoas ficaram felizes, assim como eu, em ter noticias sua, ainda mais qdo li que agora vc tem um cachorro: AMO cães!
    A vida da gente é uma constante mudança, que chega sem pedir licença e muitas vezes nos deixa felizes ou as vezes nos arrasam e nos vemos sem escolha de conviver ou não com essa mudanças, então, que seja da maneira mais suave...
    Acompanho vc desde qdo o anjinho lindo Felipe estava de corpo presente, pois presente tenho certeza que ele sempre estará entre vocês.
    Se não for pedir muito, coloque depois o nome e a foto do novo membro da família!
    Um 2013 de muita Paz e Felicidades para vocês!

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  3. Olá Valéria...
    Acompanhei durante todo o ano, aguardando uma postagem, queria muito saber como vc estava, mas não tive coragem de escrever, não quis invadir, ainda mais que vc nem me conhece...
    Comentei o post "Mãe desnecessária". Foi a primeira vez que entrei no seu blog, e li toda a historia do Felipe.
    Meu Miguel hoje esta em casa, depois de passar 360 dias internado na UTI do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte.
    Conseguimos, depois de muita luta, traze-lo de homecare. Moramos numa cidade pequena, interior de Minas, foi complicado montar uma equipe e traze-lo.
    Optamos por não reinternar o Miguel. Ele já passou por muita coisa.
    O caso dele é irreversivel também.
    Optei também por não reanimação. Miguel já teve 6 paradas cardiorespiratórias; hoje tem contato, enxerga, interage; mas tem a audição bem prejudicada, não respira sozinho, não vai andar, nem sentar, nem falar, não deglute nada e movimenta apenas o bracinho esquerdo e a perna direita. Não consigo imaginar o que mais uma parada poderia fazer com ele. Não vou pagar o preço.
    Fico feliz por ver que vc tem conseguido continuar. Tem momentos em que achei que eu não fosse aguentar. Daí entrava aqui pra ver se tinha uma nova postagem sua. Não tinha, e eu esperava ter, e continuava esperando.
    Desejo a vc muita luz, muita saude. E felicidade, vc merece e precisa dela...
    Um abraço,

    Maria Irene, mãe do Miguel

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    1. Querida Maria Irene,
      Essa luta é dura demais. Assim como você, por várias vezes eu achei também que não iria aguentar, mas parece que a gente tem também ao nosso lado um balãozinho de oxigênio invisível, que nos faz levantar e lutar e cuidar dos nossos anjinhos. Eles precisam da gente. E isso é o amor. O que podemos fazer é cuidar e amar no nosso 100% porque infelizmente nem tudo podemos resolver. Então lhe desejo também muita força para continuar e para fazer tudo o que você pode por ele. Beijo grande! Valéria

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  4. Ei Valéria, muito bom saber que sua vida está seguindo no ritmo que deve ser. Nem rápido, nem devagar demais, mas no ritmo que você aguenta. Eu sempre torci pela felicidade de vcs e continuo fazendo isso viu?

    Fica bem e com a certeza que fez todo esse 100% que podia pelo Felipe.

    Bjs meus e da Sofia.

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