Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Mãe Desnecessária

Recebi este texto de uma amiga, gostei e estou compartilhando. Não sei quem escreveu...alguém sabe ?

"A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar
do tempo.
Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e
ela sempre me soou estranha. Chegou a hora de reprimir de vez o
impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa,
protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha
hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para
controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da
frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que
significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de
mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos,
como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos,
confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas
escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros
também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão
umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os
dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse
vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em
que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e
recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos
lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no
fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o
conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o
maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto
seguro para quando eles decidirem atracar."

"Dê a quem você Ama :
- Asas para voar...
- Raízes para voltar...
- Motivos para ficar... " - Dalai Lama

7 comentários:

  1. Sempre achei isso, e agradeço minha mãe por ter me criado assim. Apesar de hoje ela ser mais necessária do que imagina.
    Ah, e quem escreveu foi o Jabor ou o Veríssimo, eles que escrevem 99% dos textos que circulam na internet. Mas como é mulher pode ter sido a Clarice Lispector também...

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  2. Espero, mais do que nunca, saber ser desnecessária...difícil missão que minha mãe executou com maestria...vou compartilhar o texto tbe...

    abraços para vc Valéria

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  3. Isoo me lembra os versos do Tao Te King de Lao Tzu

    ....Assim também o sábio:
    permanece na ação sem agir,
    ensina sem nada dizer.
    A todos os seres que o procuram ele não se nega.
    Ele cria, e ainda assim nada tem.
    Age e não guarda coisa alguma.
    Realiza a obra, não se apega a ela.
    E, justamente por não se apegar,
    não é abandonado.

    Bjs Valéria

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  4. Valéria,
    Recebi da Helena este lindo texto.
    Fui atrás da autora e descobri que é da psicanalista Marcia Neder e as frases finais do Dalai.
    Um beijo carinhosos para vocês.
    Lúcia

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  5. Olá, Valeria, tudo bem?
    Não sei como cheguei no seu blog...
    Estou passando por algo semelhante com meu filho.
    Meu Miguelzinho, aos 6 meses, apresentou o que os médicos chamam de virose, mas que na verdade era uma infecção bacteriana, e com isso, teve um choque séptico.
    Um menino, lindo, lindo... Com 6 meses, 9 kg, apenas com leite materno... Branquinho, bochechinhas rosadas, cabelinho liso e olhinhos castanhos puxadinhos. E o erro grosseiro de 3 médicos....
    Meu anjo entrou em coma, teve 3 paradas cardiorespiratórias ( que eu soube) e desde 05/12/11 está internado no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte.
    Está acordado, tem contato, o cognitivo bem preservado: ri, brinca, faz carinha de danado.... Usa gastro e traqueo. Não deglute nem saliva. Ainda não sei se as lesões que ele teve tem recuperação, mas ele tem melhorado lentamente.
    Acordou depois de dois dias em coma, com carinha de cachorro que caiu da mudança, tetraplegico, e depois de 15 dias, começou a apresentar alguns movimentos. Move o braço esquerdo, pega objetos, leva na boca. Move a mão direita, mas não consegue dobrar o braço. Move a perninha direita, e a esquerda está flácida, move apenas os dedinhos do pé...
    Não consegue sustentar o corpo, embora consiga virar a cabeça.
    Li suas postagens, chorei muito, muito...
    A gente fica num sentimento de revolta com Deus, com o mundo, com a injustiça de que isso tenha acontecido com o filho da gente, algo que podia ter sido simples, que acaba de forma desastrosa com a vida da gente.
    É díficil seguir em frente. Acordo todos os dias pensando porque tive que acordar. Ainda peço todos os dias a Deus que tenha misericordia do meu filho e o liberte da dor e sofrimento que ele tem passado. Que dê a ele a cura , ou que leve pra ser um anjinho lindo, gordinho e bochechudo no céu...
    Amo meu filho mais que a mim mesma, faria qualquer coisa para evitar o que ele está passando.
    Tenho altos e baixos: num momento rogo a Deus, a Nossa Senhora, que de a ele a decencia de uma morte digna e sem dor, e no momento seguinte a carinha dele satisfeito de me ver me desmonta e choro mais ainda, pedindo a Deus que me faça um milagrinho, que me dê de volta meu gordinho bem, pelo menos em condição de ir pra casa.
    Nem estou comentando no post certo, rs...
    Eu apenas li seu blog, e compartilho da sua dor... E procuro saber se alguem consegue continuar a vida com uma dor dessas na alma...
    Continuar a vida, ter outros filhos, continuar casada, continuar vivendo...
    Um abraço bem forte, de coração pra coração...

    Maria Irene Carvalho Mendes
    Nutricionista - Minas Gerais

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  6. Com minha mãe foi assim.Sempre presente,cuidadosa,protetora mas ensinando a voar,a escolher os caminhos e ensinando que somos responsáveis pelas escolhas.amei o texto,bjssssssssssssssssssss Tia Gi

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  7. Boa noite Valéria Pellon
    Só hj vi seu texto e sua pergunta sobre a autoria do texto: Mãe desnecessária. Pelas minhas pesquisas o texto é de Márcia Neder, ela é psicanalista e pesquisadora da UFMS e da USP / NUPPE, doutora em Psicologia Clínica e autora de Psicanálise e Educação – Laços Refeitos e A arte de formar: o feminino, infantil e o epistemológico.
    Ah, lamento pelo seu bebê, que hj deve ser um anjinho do Senhor. Fique na paz do Senhor Jesus... Meu nome é Eliane

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