Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



sábado, 5 de dezembro de 2009

Dia dos Namorados 2007

12 de junho de 2007 foi o dia que o Felipe veio para casa, após 5 meses internado na UTI. Foi um dia muito, muito estressante. Leo e eu nem conseguíamos pensar em Dia dos Namorados. Não tinha clima algum para trocarmos presente nem comemorar. Mas eu não queria deixar completamente em branco e meu presente para ele foi esta carta. Tudo o que escrevi eu sinto exatamente do mesmo jeito hoje.

Amor,
Te conhecer e te amar foram as coisas mais fáceis na minha vida. Nunca tive dúvida, em momento algum, que você era o amor da minha vida, o homem com quem eu queria fazer planos, montar uma família e ficar velhinha junto. Nós fomos sempre tão felizes ! Apesar de todos os problemas, a gente continuava sendo feliz, sendo um casal que a gente mesmo admirava. E com isso veio o plano mais importante da nossa vida, que foi ter um filho. Nosso filho querido, nós sabemos melhor do que ninguém, foi fruto de muito, muito amor. Tanto amor que chega a doer. Lembro do frio na barriga que deu quando vi aquele resultado positivo e não me aguentei e te contei na hora. Eu que tinha tantos planos pra te contar de uma forma especial...Como eu poderia guardar essa alegria comigo, sem compartilhar com você ? Hoje tudo isso é motivo de muita dor em nossas vidas. É muito triste ter que apagar a alegria dos nossos momentos, das nossas fotos, das nossas viagens, dos nossos sonhos para o Felipe. Nosso filho querido veio doentinho, muito doentinho...e isso dói tanto que só a gente, mais ninguém, sabe.

Mas meu amor, neste dia dos namorados, dia em que estamos trazendo nosso filho pra casa, eu quero te dizer que o meu amor por você só faz crescer nesta dor, em que estamos tão unidos, apesar de alguns tropeços. O mais importante disso tudo é o nosso amor por ele, que é tão grande porque nós sabemos muito bem o que ele significa em nossas vidas. Ele é um pedacinho da gente, fruto do nosso amor, e nós dois juntos vamos dar o mundo a ele, o mundo que estiver ao nosso alcance.

O meu maior sonho era que ele crescesse conhecendo o amor que une a gente, que ele fizesse parte de uma família feliz, e esta é a maior injustiça disso tudo, é ele talvez não ter condições de presenciar tudo o que temos para mostrar pra ele. Mas não podemos deixar de acreditar que ele vai sentir isso de alguma forma e em momento algum podemos desistir de mostrar isso a ele.

É muito difícil hoje imaginar uma vida de felicidades. A única coisa que eu sei é que eu continuo querendo ficar velhinha ao seu lado e comemorar todo ano o Dia dos Namorados. Tenho vontade de ser feliz, apesar do medo de não mais conseguir, mas acredite, só você me faz acreditar que nós ainda podemos ser felizes, dar irmãozinhos ao Felipe, e formar uma família bonita, diferente e, de certo modo, feliz. Só você, meu amor.

Quero ser eternamente sua namorada, amiga, amante. Não sei viver sem você.

Neste dia, este foi o único presente que eu consegui te dar de coração.

Te amo eternamente.

Valéria

4 comentários:

  1. tia , não leve tudo ao pé da letra, pq muita coisa não se aplica. Mas ao ler esse poema de Luiz Fernando Veríssimo lembrei de vc em algumas partes.O maldito quase...


    QUASE

    Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez
    é a desilusão de um quase.

    É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata
    trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

    Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase
    morreu está vivo, quem quase amou não amou.

    Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que
    se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita
    mania de viver no outono.

    Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor,
    não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na
    distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença
    dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até
    pra ser feliz.

    A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

    Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor,
    sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o
    mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de
    cinza.

    O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o
    vazio que cada um traz dentro de si.

    Não é que fé mova montanhas, nem que todasas estrelas estejam ao alcance,
    para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência
    porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a
    oportunidade de merecer.

    Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis,
    tempo.

    De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo
    fim é instantâneo ou indolor não é romance.

    Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de
    tentar.

    Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que
    sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem
    quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

    Luís Fernando Veríssimo

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  2. Mas tenho certeza que se Luíz Fernando Veríssimo conhecesse a história do Felipe , ele alteraria o final, pq na situação dele , acho que ele vive com mais força do que qualquer pessoa .

    Beijos!!

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  3. esque´ci de por meu nome .. bjinhos íris

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  4. Valéria ,
    Desde que começou o blog venho acompanhando , esperando para dizer a vocês o quanto os admiro . Não tenho idéia do que possa ser , ver um filho crescendo sem poder fazer planos para o seu futuro . Ou até mesmo , não ter um sorrisinho , um abraço ...
    Mas , não tenho a menor dúvida , de que o Felipe sabe o quanto vocês o amam .
    Acompanhei um pouquinho da sua gestação no curso de primeiros cuidados com o bebê e quero te dizer que o que vocês precisarem podem contar comigo .
    Com carinho,
    Olivia

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