Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



domingo, 13 de março de 2011

Amores Descartáveis

Não sou nenhuma leitora de revistas de celebridades, tenho uma preguiça muito grande e pouquíssimo interesse nas vidas das pessoas que por elas circulam. Mas confesso que numa sala de espera de consultório, sempre dou uma folheada nas revistas "Caras" da vida. O que mais me interessa, na verdade, é a informação da idade, fornecida entre parênteses, das mulheres que foram mães recentemente. Chega a ser engraçado, mas é que devido a minha dificuldade de algum tempo em ser mãe novamente, por causa da minha idade, essa informação me interessa em particular...

Mas meu ponto não é esse. Devido à pouca frequência com que vejo essas revistas, me chamam a atenção duas coisas. Primeiro, é a quantidade de gente perfeita e feliz, com corpos lindos, ricas, com filhos lindos, maravilhosos e saudáveis, e o que é melhor, todas ao lado dos verdadeiros amores de suas vidas, almas gêmeas ! Uma fotografia perfeita. Seria tudo muito bonito, se essa fotografia não mudasse em poucas edições da revista. Já repararam na rapidez com que as notícias de capas dessas revistas mudam, com essas mesmas pessoas ? Um dia eu vejo que fulano encontrou o amor de sua vida, faz tatuagem com o nome deste amor, marca casamento, aquela loucura toda, mas poucas revistas depois aparece a notícia dessas mesmas pessoas separadas, dizendo que devido a suas agendas ou algum motivo qualquer, não era possível conciliar o relacionamento.

Não estou aqui falando o certo e o errado do amor, porque cada um tem sua forma de amar, de ser amado e de viver sua vida. Muito menos estou falando somente das celebridades. Elas são somente uma ilustração mais próxima desta realidade e têm suas vidas mais expostas por serem famosas. Mas o que me impressiona é a forma com que se descartam os "grandes amores", de um dia para o outro. Será que não havia mesmo amor de verdade ou as pessoas estão buscando um amor que não existe nem nunca vai existir ? Eu acho que o amor de verdade é difícil mesmo de se manter, dá trabalho, requer paciência e persistência, que são exercícios para toda uma vida juntos. Tem que ter respeito, amizade, e não somente com a "Ilha de Caras" ensolarada ao fundo, mas principalmente nos dias "nublados" e "chuvosos". Mas algumas pessoas desistem tão rápido.

Percebo também como a galera mais nova lida com isso. Hoje em dia (estou parecendo uma velha falando né ?) começam muito cedo a "ficar", com tudo o que têm direito e, sem a menor vergonha, acham o máximo ficar com vários garotos numa mesma festa. Como alguém pode querer encontrar uma pessoa legal numa situação dessas, se não tem respeito a si próprio ? Não sei se isso é uma tendência das novas gerações ou se é uma questão de educação, de conceito de familia. Não sei mesmo. Acho que são as duas coisas, na verdade.

Mas, por outro lado, acabo de ver uma reportagem no Fantástico de um homem que sofreu um acidente quando fazia caça submarina, nas Ilhas Cagarras, aqui no Rio. Ao voltar do mar para o barco, bateu a cabeça no fundo do barco, perdendo seus movimentos no mar, sem ser visto pelo seu amigo. Foi sendo levado pelo mar, por muitas e muitas horas, com a certeza que iria ficar tetraplégico. Mas tudo que queria era ficar lúcido para voltar para sua casa, sua esposa, e ver sua filha crescer, do jeito que fosse. Ele foi resgatado somente numa praia em Niterói, foi operado e sua situação agora é de uma longa jornada até retomar, se retomar, os movimentos. Ele querer voltar de qualquer jeito é normal, é mais esperado. Mas quando aparece a esposa dele falando que só de tê-lo ao lado da família, também lúcido, e do jeito que for, isso pra ela é tudo. Tenho certeza que eles sempre tiveram seus problemas, mas isso me faz ter certeza que, apesar de tudo, tem muita gente que sabe viver o amor de verdade. Dá um trabalho muito grande, mas é tão bom...

Um comentário:

  1. Uma das últimas conversas que tive com minha prima foi sobre essa coisa do ficar... expliquei a ela que ficar era bom porque satisfazia um desejo do toque e tal, e podia parecer super "maneiro", mas que nessa vontade de "ficar" corríamos o risco de deixar passar um relacionamento que poderia ser muito legal. Tanto um grande amigo poderia nunca chegar a sê-lo, porque o "beijo" entrou no meio da conversa, como um grande amor poderia passar batido como um simples beijo só porque a obrigatoriedade do "ficar" atropelou o desejo de se conhecer...
    Espero criar minha filha para entender que o "tesão" tem importância, mas ele é secundário ao amor!

    ps - o troca-troca de casal na Caras me impressiona menos do que a facilidade com que esses "casais apaixonados" fazem filhos antes de partirem para outra... será que eles entendem que a criança não é efêmera como esse "grande amor" que eles encontraram na semana passada?

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