Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ter ou não ter ?

Eu sempre morei em casa. Só quando eu tinha 30 anos que meus pais se mudaram para um apartamento e foi quando eu me "emancipei" e fui morar sozinha. E morando em casa, sempre tivemos cachorros. Quando eu era pequena, era um casal de pastor alemão, a Chispa e o Jango. Fizeram parte do meu crescimento, da minha infância, eram praticamente membros da família e só faltavam falar. Eles viveram muitos anos, principalmente o Jango, e quando eles se foram, primeiro a Chispa, foi na verdade a minha primeira grande perda. Uma dor sem fim. Mal sabia o que a vida me reservava...

Logo depois deles tivemos dois cachorros da raça Dog Alemão, imensos, pretos, lindos, um de cada vez, primeiro o Alan e depois o Athos, que infelizmente não viveram muito tempo. Mas eu já era mais velha e já tinha chegado à conclusão que era melhor não ter cachorro para não passar pelo sofrimento de perdê-los...Que pensamento louco esse né ? Mas eu pensava mesmo, e inclusive que quando eu tivesse um filho não iria ter coragem de dar um cachorro pra ele porque não queria que ele um dia passasse pelo sofrimento de vivenciar a perda do seu "amigão". Analisando bem, se a gente pensar assim, a gente não faz nada na vida né ? Mas sei lá, talvez meu instinto de "sobrevivência" já se aflorava nesta época...

E também, com a liberdade dos meus 30 anos, morando sozinha, eu pensava que não teria coragem de ter um cachorro porque eu morreria de pena de deixá-lo sozinho em casa quando saísse para trabalhar. E quando fosse viajar, como faria com ele ? Enfim, não era mais o momento, não se "encaixava"na minha vida.

Mas eu adoro cachorro e o Leo também. Ele, na verdade, queria ter um pastor alemão. Imagina, no nosso apartamento ! Mal cabe a gente...seria loucura. Ele tem também muita vontade de ter um aquário, e não tem nada que eu ache mais sem graça do que aquário, não tem espaço para ele, e sempre ouvi dizer que dá azar. Não sei o que pode dar mais errado, mas na dúvida, prefiro ficar longe do aquário. E preferia ficar longe do cachorro também, não queria me prender a ele, deixar de fazer nada. Com o Felipe, imagina ! Não tinha a menor possibilidade. Mas agora estamos muito caseiros, praticamente não saímos de casa, nem nos finais de semana. E não sei porque (ou sei ?) passei a ter uma vontade louca de ter um cachorro ! Mas cismei com um em particular, a raça West Highland White Terrier, chique né ? É mais conhecido como o cachorrinho da propaganda do IG. Gente, ele é simplesmente um bonequinho, lindo, lindo, lindo, fofo, pequeno. E agora, o que eu faço, se eu quero muito ele ? Mas será que eu quero mesmo, ou será um devaneio momentâneo ? O Leo me fez uma pergunta crucial: "você sabe que é uma decisão que vai te acompanhar pelos próximos 15 anos mais ou menos né ?" Fiquei meio assustada com isso, mas já fiquei também preocupada com tanta coisa sobre o cachorro, que não sei se vai ser bom...

Perguntei se minha ajudante, Neide, o levaria para passear quando a gente estivesse trabalhando, e ela fez uma cara de "como assim, eu ??? " Porque como sempre tive cachorro em casa, esse negócio de ter a obrigação de levar o cachorro para passear com saquinho pra coletar suas necessidades...ai...sei não...e de noite, chovendo, e o cachorro resolve querer fazer suas "coisas" ? Ai que preguiça...ele não pode ter um cantinho em casa pra se resolver por ali mesmo e sair só para passear ?

Hoje foi o dia da "sopa"aqui em casa, e vieram os pais do Leo e minha mãe. Momento família gostoso, onde aproveitei para perguntar se eles ficariam com o cachorro quando a gente viajasse. Minha mãe só ri, o que significa que não quer muito não...meu sogro diz brincando que tem hotéis ótimos para cachorros hoje em dia (mas sei que seria o primeiro a se apaixonar...), e minha sogra coloca os óculos e senta do meu lado para ver as fotos dos cachorros na internet, e fala que o que eu resolver, ela me apóia.

Resumindo: não sei se quero um cachorro mesmo, mas adoro a minha sogra !

11 comentários:

  1. Sou super suspeita pq amo cachorros, ganhei a minha com 13 anos e fazem 2 semanas q a perdi. Como vc falou é uma dor sem fim. Não pensamos em ter nenhum agora, pq realmente prende mto, faz tempo q vivíamos em função dela. Mas como esses bichos nos dão alegrias, são nossos verdadeiros amigos!! Adorei a obs sobre o aquário, tbm acho bem sem graça, porém bonito,já tivemos tbm. Bem a decisão tem q ser de vcs mesmo. Se for sim, pode ter certeza q não se arrependerão. Boa sorte!

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  2. Como a minha irmã já mencionou e vc mesmo viu no meu face, perdemos a nossa e realmente é muito triste, mas aprendemos a viver sem ela mesmo sentindo falta. Ela ficou muito velhinha e prendia demais, ela nao ficava mais sozinha. Tinha 11 anos quando ganhei e hj estou com 28 anos!!! Nossa, muito tempo!!! Se vc precisar, pode deixar seu cãozinho na minha casa, de verdade!!! Cachorro é tudo de bom!! Bjs Aline Loja.

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  3. Então tá. Tô fora do blog há um tempo. Confesso que covardia pura. Esse virou o cantinho do Felipe e eu sinto muiiiiita saudade dele. O problema é que entro no blog e SINTO O CHEIRO DELE!!! Vai explicar? E aí a saudade explode.
    Mas resolvi entrar porque fiquei sabendo da história do cachorro. Então vou dar minha opinião: AMO cachorro e com isso posso falar: SOU CONTRA!!!! Por uma razão de matemática simples. Não é uma POSSIBILIDADE, que faz parte da vida, o cachorro morrer. São 15 anos e ele VAI morrer. E não quero meus amigos queridos perdendo mais nada, nem a chave do carro. Assim, resumindo, só sou a favor de elefante para bicho de estimação. Esse PODE até morrer, faz parte da vida, mas a maior probabilidade é que viva ainda muiiiitos anos (quantos anos vive um elefante? Sei que vive muito apesar da obesidade mórbida...)!
    Votei!

    Beijos,

    Márcia Dabul

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  4. independente do cachorro, adorei o texto, uma delicinha! Ah,e também adoro a sua sogra! Bjs, Adriana

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  5. querida eu tenho uma gata a mimi entrou na minha vida a 1 ano e 6 meses , ele e de rua sem pedigre, e tem um nome que foi o rogerio que deu mimi, ta tudo bem nem por isso ela de ter personalidade. e uma otima experiencia. e gatos ficam bem sozinhos, fazem suas necessidades em casa mesmo , bom nao estou puxando brasa nao mais e bem legal . tem uma coisa ruim afiam as unhas dai seu sofa e nao e boa ideia , um beijo simone

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  6. Valéria, tava super atrasada aqui. hj li todos q eu ainda não tinha lido. queria comentar um por um, mas aí, veio esse do cachorro e me rendi somente a ele: cachorro é tudo de bom. tive um quando era pequena e foi meu companheiro, mas os que amei mesmo foram os q vieram no pacote, quando me casei com o Cesar. A Lua, um pastor alemão imenso! e o Rex, o vira-lata mais simpático do mundo. Eles nos acompanharam a 4 apartamentos diferentes e tivesse o tamanho q fosse, se adaptaram. Não sei como seriam os dias de UTI do Antonio se não tivéssemos os dois nos esperando na porta de casa, quando voltávamos à noite. quando AP foi pra casa, a Lua, sozinha, entendeu q não podia entrar no quarto dele, mas ficava de guarda na porta dele o tempo todo. nunca precisei prendê-los. eles só chegavam perto do Antonio, quando a gente chamava. quando Antonio tinha mais ou menos 6 meses, a Lua ficou doente. e com os dias, não conseguia mais se levantar e ficava lá no canto dela, sem poder tomar conta do quarto do antonio. aí, éramos nós quem o levava até ela. e esses eram os poucos momentos de felicidade q ela tinha no dia. botávamos ele em cima dela, fazendo cavalinho e ela abanava o rabo, mesmo lá sem conseguir se mexer muito. até o dia em q ela se foi. mas agradeço cada momento q passamos com ela. o Rex precisou ir para a casa dos pais do cesar quando ap piorou das convulsões e não tínhamos mais como cuidar do rex direito. só q sempre falamos em trazê-lo de volta. e hoje, depois de ler seu post, tô pensando seriamente em buscá-lo. a vida aqui está difícil, a rotina é pesada, mas ele merece. e acho q o antonio ia gostar.
    beijo grande,
    adriana

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  7. oi Valéria, descobri seu site numas das minhas buscas infinitas sobre a doença do meu filho. Procurei tantas outras vezes, e achei hj novamente. Gostaria de lhe dizer o qto me ajudou durante nossos dias na UTI. Queria te mandar meu blog por email. Se puder, entre em contato comigo: luciana_hirata@hotmail.com
    obrigada!
    Luciana

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  8. Tenho cães desde muito pequena, não consigo viver sem eles! Eles se enquadram na nossa rotina e tudo acaba dando certo...
    Qdo nasceu a Maryah, todos temiam pq as meninas aqui ja eram adolescentes e tenho 2 lhasas: Prisicla e Frida, q são super temperamentais e não aceitam crianças! É claro que qdo a Priscila viu pela primeira vez a Maryáh chorar de verdade, com 22 dias, deu 1 pulo e deixou 1 marca que havia encostado os 2 dentinhos na testa dela, aumentou a vigilancia! Hoje as 3 convivem super bem, qdo viajo e fico dias, levo, caso contrario pago uma vizinha cuidar, tudo vale a pena em troca do amor que eles que eles trazem, sem contar as gracinhas de 1 filhote que é demais! E nesse final de mês nasce uma ninhada aqui em casa da Frida!
    Eu recomendo!

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  9. Oi Valéria,nossa esse post ta arrasando...bom eu gosto de cachorro grande,amo Pastor Alemão e já tivemos uma,mas como estamos morando em um apto.temos uma Shitzu que é terrível de pirracenta
    mas Arthur e Gabi amam e ela adora Arthur e toma conta o tempo todo.No início Arthur tinha muita hiper sensibilidade ao pelo e agora nem liga,enrola a mãozinha nela e se delicia.Agora amiga que da trabalho da isso não tem jeito.
    Beijos

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  10. Querida Valéria,

    só hoje conheci seu blog...uma pena não ter visto antes, quando o Felipe estava aqui entre nós e acredito que a presença física é sim muitíssimo importante...também perdi um bebê ainda aos dezenove dias de vida e até hoje não consigo explicar para as pessoas a falta que ele me faz...ele viveria em estado vegetativo e vários foram os médicos que, na sua maneira tosca de confortar disseram que foi melhor assim, só nós sabemos que melhor não foi, mas foi assim. Gêmea deste bebê que nos deixou, o Jorge, tenho hoje a Helena uma pequena guerreira que está com 1 ano e dois meses...se vc quiser conhecê-la entre no blog helenabrigolini.blogspot.com. Sou uma pessoa extremamente religiosa e teimo em dizer que apesar da minha fé não entendo e nem vejo resposta para o sofrimento das crianças...porque elas sofrem? E porque a partir do sofrimento delas sofremos mais ainda? Enfim sofra, ria, chore e peça o que quiser para o Felipe, ele mais do que ninguém te atenderá de onde ele estiver...abraços carinhosos

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  11. Olá estou te visitando, venha me visitar também, beijos.
    http://fasesdegarota.blogspot.com/

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