O momento do exame da ressonância foi relativamente tranquilo. Isso muito em função da presença do nosso "anjo da guarda", o Dr. João, que tirou a manhã dele para nos acompanhar no exame. Sinceramente, eu não sei como mensurar a importância dele nas nossas vidas. A presença dele é um conforto sem tamanho para a gente.
O transporte do Felipe até o IRM (Instituto de Ressonância Magnética), no Humaitá, foi tranquilo. É muito perto da nossa casa. Nós optamos por levá-lo em nosso carro, porque as experiências com ambulâncias foram péssimas. Felipe foi no meu colo, no banco de trás, onde também colocamos o carrinho dele dobrado. A enfermeira foi no banco da frente, e Leo dirigindo. Levamos tudo: oxigênio, aspirador, respirador com bateria, sondas, enfim, toda a "parafernália" do Felipe.
Desde o começo nós conversamos com Dr João que não queríamos que o Felipe fosse anestesiado. As reações dele a medicações desse tipo no passado foram as piores possíveis. E como ele não mexe muito, confiamos que o exame seria feito sem anestesia mesmo, que ele iria ficar quietinho.
Dr.João acompanhou todo o exame e nós ficamos na sala de espera. Demorou um pouco, e quando acabou, nos disseram que no final do exame, Felipe começou a se mexer, incomodado com a posição. Felipe fez "bagunça", o meu gordo ! Mas mesmo assim, deu para fazer o exame e ter uma boa leitura.
Conforme orientação, levamos os exames antigos do Felipe, e após examiná-los rapidamente, a Dra Lara, médica que fez o exame e que tinha feito um dos antigos que ele fez quando estava internado, com poucos meses de vida, conversou um pouco comigo e com o Leo antes do exame, para relembrar a história do Felipe. Contamos todo o parto para ela, que lembrou da história e conversava com a gente com os olhos cheios de lágrimas. Isso me deixa muito mal, ver uma médica, que só faz esse tipo de exame, que vê casos os mais diferentes e graves, se emocionar com o caso do Felipe. E eu já vi isso várias vezes. Para mim isso é a comprovação do quão surreal é o que aconteceu, que o que deixaram acontecer com o Felipe foi uma monstruosidade sem tamanho. Qualquer médico que vê as ressonâncias do Felipe fica chocado, eu já comentei isso aqui. E nós confirmamos com ela, que os exames mostram que o Felipe tem traumatismo no crânio, ou seja, o que quer que tenham feito no parto, afundou a cabecinha dele ! E quero deixar bem claro que não foi o uso do fórceps, pois nem isso eles tentaram fazer para ajudar. Esses monstros continuam por aí, como se nada tivesse acontecido, e nosso processo há meses completamente parado na justiça. Como eu posso acreditar que esse mundo é justo ??
Enfim, saímos de lá ainda sem o laudo, que ficará pronto no final desta semana, pois ela vai analisar e comparar com detalhes o exame atual com os antigos. Mas numa primeira conversa, ficamos sabendo que não existem novas lesões. As que tem são as do parto mesmo, que muito provavelmente progrediram, o que é esperado. A conduta com o Felipe de mantê-lo no respirador será mantida.
Mas o principal para mim: o exame, mais uma vez, mostra um caso típico de asfixia perinatal (ou seja, durante o parto), com absolutamente nenhuma característica de doença metabólica, como tentaram nos fazer acreditar durante algum tempo. Meu filho era perfeito e acabaram com a vida dele naquele parto da época das cavernas.
terça-feira, 16 de março de 2010
O exame
Postado por
Valéria Pellon
às
13:15
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A justiça tarda, mas não falha... um dia eles pagarão por seus erros... incompetência não deixa de existir e um dia outros enxergarão que os que errarão continuarão errando e então, justiça formal ou não, eles pagarão o preço com sua carreira... não perca a esperança...
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