Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



terça-feira, 9 de março de 2010

Ressonância

Na próxima quinta-feira, dia 11/3, o Felipe vai fazer uma ressonância magnética de crânio. Desde que ele nasceu, ele fez somente 3 ressonâncias, e todas elas quando ainda estava internado, nos seus 5 primeiros meses de vida. Desde que ele veio pra casa, nunca mais fizemos. Parece estranho um paciente que tem problemas neurológicos não ter acompanhamento de exames neurológicos ? Na verdade, o nosso pensamento, dos pais do Felipe, e dos médicos, é que um exame desses não iria trazer nenhum benefício na vida prática para o Felipe. A dimensão das lesões e a vida do Felipe até aqui nos mostram que não há muito o que ser feito para melhorar a situação neurológica dele. Iria sim satisfazer curiosidades médicas, científicas, para ver se as lesões cerebrais estão aumentando, ou não. Mas como isso não acrescentaria em nada na vida dele, nós optamos por não fazer, seguindo nossa filosofia de incomodar o Felipe o menos possível, a não ser que seja para o bem dele.

Mas agora, em função da piora da parte respiratória do Felipe, os médicos precisam ver se tem alguma justificava neurológica, para que possamos ter confiança nas medidas a serem adotadas no dia-a-dia dele. Desde que o exame de sangue, a gasometria, deu um resultado muito alterado, mostrando que ele estava retendo tanto gás carbônico a ponto de fazer narcose, ele está ficando o dia inteiro no respirador, parando apenas para as refeições e banho. Mas esta é a conduta certa ? Não sabemos, e outros exames, mas principalmente a ressonância, irão nos ajudar a decidir as práticas a serem seguidas com ele.

O pior é que isso mexe muito com a gente. Os médicos voltam a olhar as antigas ressonâncias, sempre em estado de choque, voltam a falar sobre elas, e a gente volta a sentir aquilo tudo, aquela dor mais profunda, a dor da horrível realidade do nosso filho, que às vezes é um pouco amenizada pela rotina dessa vida que nos empurra pra frente. Tenho muito medo do que vamos ouvir, não queria ouvir mais nada, mas sei que não posso agir assim. "As lesões pioraram...", "Felipe tem "x" anos de vida...", quem quer saber isso ??? Socorro ! A ignorância muitas vezes é uma dádiva. Quanto menos você sabe, menos sofre.

3 comentários:

  1. Força, Valéria!
    Um beijo pro Felipe.
    Juliana.

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  2. Valéria,as vezes não estar por dentro das situações é uma benção,mas acho que quanto mais a gente sabe mais habilitados ficamos para lidar com o problema e não ficamos depois naquela de " se eu soubesse","se tivesse idéia do que poderia fazer"...De qualquer maneira dá uma baita frio na barriga, principalmente por ser com alguém tão indefeso e tão querido.Vou repetir o que voce já sabe e tem me ajudado muito:segura na mão de Deus e vai.Muita força e logo que possa escreva sobre os resultados, sejam eles quais forem.Um beijo bem grandão no Felipão.Tia Gizélia

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  3. Apesar de tudo, eu não duvido da força de vcs para encarar qualquer que for o resultado. E realmente é melhor saber do que está acontecendo para que possam fazer o que for melhor para ele, como sempre fizeram. Não se assustem. Gostaria tbm de saber dos resultados.
    Um grande beijo

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