Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



domingo, 21 de fevereiro de 2010

Carnaval

Carnaval para a gente significa simplesmente mais alguns dias para ficar em casa, descansando, mais perto do Felipe. Quando temos oportunidade, caso tenha alguma cuidadora ou avó em casa para fazer companhia à enfermeira, que não pode ficar sozinha com Felipe em casa, nós aproveitamos para pegar uma praia. E foi o que aconteceu na terça-feira de Carnaval. Fomos à praia à tardinha no Leblon, horário mais tranquilo, com o intuito de encontrarmos nossos queridos amigos Claudia e Afonso, que sempre nos falam para tomarmos a melhor caipirinha no quiosque que eles frequentam.
Ficamos pouco tempo na praia propriamente dita e quando eles nos ligaram, fomos logo encontrá-los no tal quiosque para bater um papo, arejar a cabeça, aproveitar que saímos um pouco de casa. As ruas do Rio estavam lotadas de gente indo para blocos, e ouvíamos do quisque ao fundo algum bloco que devia estar na Delfim Moreira, em algum lugar meio longe. Não ali. E nós calmamente colocando o papo em dia com nossos amigos, assim como todos que estavam sentados naquele quiosque. Com exceção de uma jovem senhora, muito "alegre", que estava também sentada numa das mesas do quiosque, mas que resolveu se levantar com um saco de confetes na mão. Junto com uma garotinha que ela instruía, começou a encher as mãos de confete e jogar diretamente na cabeça das pessoas que estavam calmamente curtindo um fim de tarde no calçadão, começando por nós. Não era aquela coisa de jogar para o alto não, era bolo de confete diretamente na cabeça das pessoas. Jogou primeiro na Claudia, e quando encheu as mãos e jogou um monte na minha cabeça, eu fiz que não queria. A resposta dela foi algo como "peraí, é Carnavaaaal, você tá no Rio de Janeeeeiro, relaaaaxa !" No que eu respondi que isso não dava a ela o direito de jogar um saco de confetes na minha cabeça. Aí é que ela jogou mais mesmo ! Pois eu tinha acabado de receber do garçom minha água gelada para beber, e tudo que consegui fazer foi abrir a garrafa e jogar quase toda a água na cabeça dela, dizendo "É Carnaval ! Aproveita! "
Neste momento ela não podia reclamar, ficaria incoerente...então fez que achou aquilo uma maravilha, continuou jogando confetes no Leo, que educadamente pediu só para ela poupar sua capirinha, e depois saiu contando para todos em sua volta como ela era legal e alegre no Carnaval, e aquela mal humorada ali do lado (eu !) ainda jogou água na cabeça dela, mas ela adorou, porque afinal é Carnavaaaaaal !
Enfim, foi um cena patética, mas não deixou de ser engraçada. As pessoas são muito sem noção, e acham que a alegria delas, ou no caso desta jovem senhora aloirada, a bebedeira delas, tem que ser compartilhada com qualquer cidadão que coloca (ou mantém, no meu caso) os pés no Rio de Janeiro no Carnaval. Dá muita vontade de chamar pessoas assim para 5 minutinhos de explicação da minha vida e da dificuldade em eu ter conseguido aquele momentinho de prazer, longe dos blocos de Carnaval, mas achei melhor deixá-la pagando seu mico sozinha e me preocupei em não deixar o ralo entupir na hora do banho, de tanto confete que saía de mim !

7 comentários:

  1. Valéria, minha cara, tem gente que é chata pra caramba com essa "alegria de carnaval" e o tal do "espírito natalino".Semancol zero e acham que todo mundo tem que fazer o que elas querem.Conheço bastante esse tipo.Bjs tia Gi

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  2. Valéria,
    Infelizmente o mundo tá cheeeeio de gente "sem noção"... e nas datas festivas a coisa se multiplica, né... !!
    No post anterior, deixei um comentário e (falha grave) me esqueci de mandar beijo pro Felipe!
    bjs,
    Ju.

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  3. Eu compraria uma cerveja bem ruim mas bem gelada, abria o short dela e jogava tudo!!! Melhor, guardava um pouco pro cabelo.

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  4. Vixe... ahhh se fosse comigo! Se tem uma coisa que eu ODEIO é essa onda carioca de achar que carnaval é pretexto para falta de educação e baderna!
    Eu adoraria estar ali do lado para aplaudir você jogando água na dita cuja!rs

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  5. Adorei a história , até pq detesto o tal do confete e tbm fiquei com vários deles na cabeça em alguns blocos...

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  6. Saraiva do jeito que eu sou, teria a mesma reação... E o meu Leo agiria da mesma que forma que o seu! Tranquilo, educado, "deixa Nanda, ela tá brincando..." kkkkkkkkkkkkkkkk
    Nada, nem ninguém tem o direto de atrapalhar o meu momento de paz!
    Tô contigo!

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  7. Embora bem atrasado,pois só visitei o blog
    agora,só lamento não ter estado perto para ajudá-la a refrescar bem a cabeça dessa metida a engraçadinha,"a carnavaleeeeesca "mais animada deste carnaval.Mas até que a cena me fez rir um
    pouquinho.Beijos
    Angela.

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