Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Borboleta Amarela

Tenho estado quieta nos últimos dias. Leo e eu passamos as noites de Natal e Ano Novo viajando, sem tomar qualquer conhecimento das datas. Foi bom assim. Sabe aquela coisa que algumas pessoas falam: queria dormir no dia 23 de dezembro e acordar no dia 2 de janeiro ? Então, foi mais ou menos assim. Foi bom ter viajado, apesar da viagem não ter sido propriamente boa, se é que vocês me entendem...

Não tenho escrito porque ando muito baixo astral e não quero transformar o blog em fonte de sofrimento para as pessoas que nos acompanham com tanto carinho. Resolvi ficar quietinha e quando tivesse alguma coisa mais leve para dizer, eu escreveria.

O maior vazio da ausência do Felipe, e imagino para todos que perdem alguém querido, principalmente um filho, da forma que for, é a falta de explicação daquela separação física. Acho que por mais que a gente tenha uma fé, quando acontece a dor da perda e da saudade, ela é muito superior a qualquer crença de que "ele está melhor", "ele continua vivo nos nossos corações", enfim...Isso conforta, mas eu sou muito racional normalmente, acredito naquilo que eu vejo, que eu tenho provas. Nós conhecemos histórias de todas as crenças que comprovam as suas respectivas doutrinas, então, com tantas provas de todos os lados, eu fico confusa. Que existe vida após a morte, eu acredito, mas como é isso ? Eu queria mesmo acreditar que a pessoa que foi, continua do mesmo jeito, e que nós vamos sim nos encontrar um dia, mas vamos nos reconhecer. Porque o que me adianta encontrar se eu não o reconhecer como meu filho, nem ele me reconhecer como sua mãe ? O que adianta eu encontrar com meu pai, se não nos reconhecermos ? E encontrar como ? Como funciona ? Não entendo. Temos muitos relatos de mediuns mas ninguém nunca morreu de verdade e voltou pra contar tudo diretinho como é. Ou já ? Sim, já, de uma certa forma.

A Juliana, minha querida amiga, me deu um livro que foi indicado pela médica dela, minha ex (infelizmente) médica também. Chama-se "A Roda da Vida", escrito por uma médica suíça, radicada nos EUA, chamada Elisabeth Kubler-Ross, que faleceu há alguns anos atrás. Ela era psiquiatra e o trabalho dela foi todo em cima de pacientes terminais, lutando pela dignidade que eles precisam ter no final de suas vidas, indo além, aprofundando seu estudo sobre a morte propriamente dita e seu significado. Ela fez anos de estudos usando relatos de pessoas que tiveram experiências de "quase-morte", ou seja, que chegaram "lá", mas voltaram. E todos os relatos são muito parecidos, e me lembraram muito os últimos dias de vida da minha querida vó Mathilde. Minha família me contava, e quando eu estive com ela, uma semana antes dela partir (ela morava no interior de SP), eu vi pessoalmente, como ela estava cercada de parentes já falecidos, inclusive meu avô, marido dela, que tinha falecido há muitos anos atrás. Ela conversava com eles, falava deles, e momentos antes de morrer deixou claro que alguns estavam lá ao lado dela. Vieram buscá-la ? Como ela os via ? Uma luz, uma sombra, não sabemos, ela não estava mais muito consciente, mas que eles estavam lá, estavam. E conheço outros relatos de pessoas conhecidas que falam mais ou menos a mesma coisa. O que eu quero dizer com isso tudo ? Não sei...mas estou num processo de conhecimento da morte, da passagem. Quero entender onde está o Felipe.

Outro dia eu onversei com minha comadre e prima Lucia, que é espírita e também perdeu um bebê com poucos meses de idade, há muitos anos atrás, em função de um incidente banal, que ela diz que até hoje não entendeu muito bem. Ela me falou para conversar com o Felipe como se ele estivesse aqui, ou como se estivesse no telefone, ou seja, apenas longe fisicamente, mas não conversar com tristeza. Então eu comecei agora a falar com ele de uma outra forma, sem mostrar meu desespero. Converso com ele no banho, quando uso seu sabonete e aquele cheiro toma conta da minha alma, quando uso o perfume dele, quando vou dormir. É difícil fazer desse momento um momento não doloroso, mas estou "em treinamento". No início desta semana quando estava lendo este livro que mencionei, ela falava sobre a analogia da morte com a borboleta saindo do casulo e voando. Ela só tirou a casca e continuou a vida em um formato diferente. Aí eu me lembrei de um pedido que eu tinha feito ao Felipe no dia anterior. Fechei os olhos e comecei a conversar com ele. Acho que entrei numa outra esfera que não sei explicar direito. Mas eu pedi para ele me mandar um sinal, o dia que pudesse, que ele estava me "ouvindo". Falei que o dia que eu visse uma borboleta amarela eu iria entender que ele estava me sentindo de alguma forma. Eu até falei que eu não tinha pressa, eu esperava o tempo que fosse...ontem repeti meu pedido a ele, disse que eu continuava esperando mas só queria lembrá-lo.
Hoje eu estava em frente ao prédio do meu escritório, conversando distraidamente com a Marcia, e senti um arrepio invadindo meu corpo todo, uma descarga de eletricidade, porque dei de cara com uma borboleta toda amarela. Gelei. Falei rapidamente com a Marcia, que disse que não estava vendo. Pensei por alguns segundo que eu poderia estar vendo coisas, mas logo ela viu também. Sei lá. Pode ter sido coincidência, não sei...mas abri um sorriso de muita alegria.
Acho que se a gente começar a voltar nossos olhos para o que acontece ao nosso redor, conforme a Marcia conversou comigo, tem muita coisa acontecendo, muitos sinais nos sendo dados, mas nossos olhos não estão focados naquilo, estão distraídos com a correria do dia-a-dia. Hoje eu tive a certeza que o Felipe me mandou aquela linda borboleta amarela.

Como eu falei, estou "em treinamento". Estou querendo ler, estudar, entender esse misterioso lugar onde se encontra meu anjinho, meu pai, minha avó. Procuro isso para ficar leve, porque eu estou muito pesada ainda, com uma sensação ruim de que tudo acabou. Mas se eu continuar vendo borboletas amarelas, acho que o caminho fica um pouquinho mais bonito...

13 comentários:

  1. Lindo!! Tenho certeza que verá muitas borboletas amarelas, o Felipe sempre estará com vc.
    Bjos
    Aline Loja

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  2. Valéria, lindo, lindo !!!! Espero q ao longo desse "duro" caminho vc possa enxergar várias borboletas amarelas...É isso mesmo q nos faz mais leve, com mais força e mais esperança. Lembre-se q ele sempre vai estar com vcs de alguma forma .... Bj grande Alessandra

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  3. Eu ví a borboleta amarela...Não lembro o dia,mas eu estava sonhando com qualquer coisa,e assim,"do nada" o Felipe apareceu sentadinho nas "costas" da minha poltrona.Fiquei radiante,me virei para vê-lo,e toquei nos pezinhos dele,e ele foi embora.Daí eu voltei ao sonho de antes...Me disseram que quem parte,não pode vir pra cá sempre,devido a energias,forças,químicas e etc...e quando recebem "permissão" para virem,é muito rápido e para seletos...Estou muito feliz por ter sido premiada como os seletos,torcendo para que ele receba outra "autorização" pra vir nos ver.Felipe entrou no meu coração desde o primeiro dia que eu o ví(29 de junho).Um dia sentí muita saudade dele e dei um vôo aí para vê-lo,e agora vou dormir para esperá-lo em meus sonhos...bjs para vocês.Dagmar

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  4. Querida, tenho acompanhado o seu blog e a sua história. Quero muito presentear voce com um livro especial. Me passa um endereço para entrega. Pode ser no meu email. Sei que ainda veras tantas borboletas amarelas!
    Beijoca

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  5. Ei Valéria!

    Menina, me arrepiei e me segurei pra não chorar. Já falei aqui e repito: você escreve com o coração. É um presente e um ensinamento isso pra gente viu?

    Eu entendo esses questionamentos pois muitas vezes me deparo com eles.

    Fique em paz e que as borboletas amarelas te rodeiem sempre pra trazer seu sorriso de volta.

    Bjs meus e da Sofia.

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  6. É incrível. Você sempre me deixa sem palavras. E isso é algo muito, muito difícil. Eu escrevo pelos cotovelos. Sempre tenho algo a 'escrever'. Mas aí, vem você e 'pum', me cala. de emoção. tudo o q eu desejo é q a vida possa conseguir te dar conforto. tenho pedido isso todas as noites, desde q conheci 'vcs'. converso muito com o Antonio e sempre pedimos para papai do céu cuidar do Felipe.
    um beijo grande,
    Adriana

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  7. E não é que a borboleta amarela estava no nosso caminho hoje??? Ah borboleta, será que voê estava vigiando a saída da cômoda??? rs...

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  8. é valéria,felipão atendendo aos pedidos.já é raro se ver borboleta ainda mais amarela conforme o combinado.continue na conversa com ele,fará bem aos dois.escreva mesmo triste e pra baixo,não se preocupe em estar sempre por cima no blog.o carinho que temos por vcs faz com que entendamos todos os momentos.um bj grandão pra vcs, o bj enorme a borboleta já levou.tia Gi

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  9. Valéria,

    me emocionei com cada texto postado com tanto carinho por vc mas esse, em especial, me fez arrepiar.

    Espero que nessas buscas e estudos vc encontre cada vez mais conforto.

    Foi um prazer conhecer pais tao maravilhosos com vc e o Leo.

    Nunca esqueço de vcs!

    Que Deus abençoe.
    Ludimila(enfermeira)

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  10. Valéria hoje pedi para que minha mãe viesse me dizer algo sobre o que estou resolvendo quanto a casa que ficou de herança. Assim que sai da lavanderia encontrei no vidro da cozinha uma Borboleta Amarela, de imediato agradeci por ela ter vindo ao meu encontro só procurei por curiosidade,o que me fez conhecer sua história de vida. Quando vi o significado como: alma, visita de um parente. , tive certeza que mamãe veio como pedi. Acretido muito encontrar meus pais, avós e outros entes queridos um dia. Conheço muitas pessoas que perderam filhos, sei que não é fácil mas DEUS estará sempre com você e seu marido. Um abraço

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    1. Conheco essa dor.Abracos querida.

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    2. 6 meses per demos nosso filho,e hj uma borboleta amarela me visitou,interessante.

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