Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



quarta-feira, 7 de julho de 2010

Justica

Alem do processo contra a 'obstetra', temos tambem um processo que corre desde 2007, ano do nascimento do Felipe, que foi contra a empresa transportadora que contratamos por intermedio do hospital, para que pudesse transportar um pedaco do musculo do Felipe do Rio para Ribeirao Preto, para fazer biopsia e analise de uma possivel doenca metabolica.

Este material foi retirado do Felipe durante a mesma cirurgia em que ele fez a traqueostomia e gastrostomia, quando ele tinha 1 mes de vida, e quando tambem foi retirado um pedaco da pele tambem para fins de analise laboratorial. Por recomendacao medica, aproveitamos a anestesia geral, que ja seria dada de qualquer forma nesta cirurgia, para retirar esse material. Nao queriamos nem seria recomendado no quadro dele uma outra cirurgia somente para isto, tomando outra anestesia.

O que aconteceu foi que simplesmente o material (musculo) chegou no local de destino descongelado, improprio para o exame. Transportaram um orgao humano no decorrer de 2 dias (!) usando meios de transporte surreais, e nao colocaram gelo seco nem nada apropriado para o armazenamento durante o transporte. Somente gelo comum no isopor. Ate o vendedor de sorvete na praia sabe que derrete... Ficamos atordoados de ter submetido Felipe a mais um sofrimento em vao. Foi feito um corte grande no bracinho dele, levando alguns pontos para fechar. Ele tem a cicatriz ate hoje. O exame foi substituido por varios outros no decorrer do tempo, que teriam sido desnecessarios.

O processo correu de forma surreal, eu fui inclusive citada como responsavel pelo armazenamento do material no isopor ! Com testemunha apontando para mim e tudo !

Enfim, diante disso tudo, a unica coisa que pretendemos eh fazer justica, eh fazer com que este tipo de erro nao aconteca novamente com mais ninguem, mesmo que a grande vitima para que isso seja possivel seja nosso filho. O mesmo pensamento vale para a chamada 'obstetra' .

Esta semana teve o julgamento final, e ganhamos a causa na justica. O valor eh ridiculo, o tempo para se concretizar idem. Se entrarmos numa de comparar com os valores que tanta gente ganha com causas tao menos nobres, eh uma falta de respeito com meu filho e com a gente, mas enfim, isto nao vem ao caso. Nao mesmo. O que interessa eh que a justica foi feita, e que esta empresa foi penalizada de alguma forma. Ninguem precisa se preocupar em saber o nome da empresa pois, mesmo que queiram, eles nao prestam mais este tipo de servico de transporte...

(desculpem a falta dos acentos, eles nao existem no meu teclado novo, ou eu que nao os achei ainda...)

2 comentários:

  1. Me lembro bem deste episódio. Que bom que ganharam e espero que consigam tbm o processo contra a médica.
    Bjo

    ResponderExcluir
  2. Oi Valéria, estou conhecendo sua história. Lamento pelo Felipe, parabéns pela força ao encarar tudo isso. Não deve ser fácil...Li o post que se refere a seu Pai e fiquei emocionada, quer dizer, estou muito emocionada, faço idéia a dor que ele passou vendo tudo isso acontecer, ainda mais sendo pediatra. Ele acompanhou o parto? Bom, que Deus ilumine você, o Felipe e o Leonardo para que momentos doces tornem o dia-a-dia de vocês mais alegre! Bjos, Ana Paula

    ResponderExcluir