Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



segunda-feira, 12 de julho de 2010

Para-quedas

Dizem que a mente trabalha melhor, como um para-quedas, sempre aberta. Mas depois de meu ‘encontro’ com ‘budas’, vivo com a mente e o coração abertos, como um grande para-quedas e ando praticando a terapia do abraço. Um abraço que posso dar com o coração e o corpo em qualquer pessoa, e isso é importante. Algumas pessoas se assustam, mas depois que passei a praticar com afinco, os resultados tem sido pra lá de satisfatórios. Na verdade não busco resultado, é uma atitude, um modo de relacionar-se com o mundo, uma escolha, um caminho.
Falando em caminho, descubro três elementos importantes neste caminhar. Os Três Tesouros fundamentais para trilhar o caminho espiritual: Humildade, afetividade e simplicidade. Junto com a mente e o coração abertos a jornada tem sido mais agradável.
Com minha prática, minhas idas ao RJ tem sido uma celebração. Desde a comemoração dos 80 anos de nosso pai, até o fim de semana em que me juntei a Leo, Valéria e Felipe. Encontrei Felipe nos braços da fisioterapeuta, grande, saudavel, cercado de todo carinho e amor que lhe é devido. Depois da Arte de Viver encontro Valéria mais aberta, com o coração maior (se é que isso é possível) e respirando melhor. Mas o intuito da viagem era passar um tempo sozinho com meu irmão, falar, abraçar, confessar e compartilhar coisas que só irmãos sentem, mesmo não pronunciando nenhuma palavra. Relaciona-se através de lembranças e laços, confessamos coisas que só coração de irmão permite. Repito, mesmo sem palavras.
Com aqueles que amamos, temos uma memória do coração e uma memória do corpo. No nosso corpo estão gravadas as memórias do coração.

O que a memória ama, fica eterno - Adélia Prado.

Aos que acompanham o blog, seus seguidores e afins, agradeço o carinho, a solidariedade e o amor que compartilham com Felipe, Valéria e Leo.

Vocês são de minha companhia..

Bjos

Um comentário:

  1. João, é muito bom ver a alegria do Leo quando vc está por perto. Passar este tempo sozinho com você tenho certeza que para ele é muito importante e prazeroso. Este tipo de relacionamento que vc mencionou só mesmo acontece quando se conhece a alma um do outro. É quando o silêncio não é desconfortável, muito pelo contrário, é um encontro de almas...

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