Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



segunda-feira, 5 de abril de 2010

Arte de Viver

Há algum tempo atrás uma amiga muito querida veio me falar de um curso de respiração que ela tinha feito, e que se lembrou muito de mim, que eu deveria fazer, porque iria me fazer bem. Ela não me explicou direito o que era, mas falou dos benefícios desta técnica de respiração para a saúde, mente, para a vida. Eu achei interessante, mas a coisa ficou "adormecida". O curso se chama "Arte de Viver", nome da ONG que o ministra. A ONG está presente em muitos países, e lá fora se chama "Art of Living".

Após um tempo sem nos vermos, esta amiga me mandou há poucos dias um email falando novamente do curso. E eu estava passando por mais uma fase muito ruim de cabeça, acontecimentos ruins, e resolvi ver "qual é", só que desta vez, sem pestanejar, na urgência de alguma ajuda espiritual. Conversei um pouco com ela, mas continuei sem muitos detalhes, que hoje eu entendo que ela fez questão de não me dar.

Poucos dias antes do início do curso, conversando com minha querida prima-irmã-amiga Ana Maria, falei que ia fazer o curso e fiquei muito surpresa e feliz quando ela resolveu fazer também. Fiquei mais segura de ir com ela.

Enfim, o curso começou no dia 25 de março e foram 6 dias seguidos, incluindo o final de semana.
O que eu posso dizer é que desde que o Felipe nasceu foi a experiência mais bacana que eu vivenciei, espiritualmente falando. E é importante deixar bem claro que não tem absolutamente nada a ver com religião, porque quem me conhece ou segue este blog sabe minha opinião atual sobre religião. Mas realmente a ideia principal é passar as técnicas de respiração desenvolvidas pelo indiano chamado Sri Sri Ravi Shankar, que tem como objetivo fazer uma limpeza, de toxinas, de tudo que tem de ruim na sua mente. Não é nada milagroso, é uma técnica, que requer prática.

Mas o curso não é só isso, é uma vivência muito intensa, é uma energia muito especial, e realmente perde a graça se contar (porque eu quero que todo mundo faça o curso !). Se eu soubesse como seria no detalhe, eu não teria feito, por puro preconceito, por falta de vontade de me relacionar com estranhos, mas foi tudo muito mágico e muito bem conduzido por 2 instrutores muito bacanas.

O interessante é que cada um busca alguma coisa quando vai lá. Para mim, o principal, eu consegui finalmente uma forma de acalmar a minha mente. De ficar alguns minutos do meu dia com a mente vazia, sem nada, nada. De me sentir leve. Vocês não têm ideia do que isso significa para uma mente atordoada de dor, tristeza e raiva como a minha. Encontrei uma esperança, não uma solução, que depende de mim (essa é a parte difícil...)

Só que apos o fim do curso, e eu caí numa gripe horrorosa que tá difícil respirar, mas não posso deixar isso passar. Pretendo frequentar os encontros semanais e me aprofundar mais nesta técnica.
Quem tiver interesse, nem que seja de conhecer a ONG, entre no site www.artedeviver.org.br. Vale a pena.

2 comentários:

  1. Valéria,
    Que bom que vc encontrou um conforto, acho que só o fato de vc buscar alguma ajuda é uma reação, significa que vc não está passiva e isso é muito importante.
    Eu me sensibilizo muito por tudo que vc escreve aqui, acompanho seu blog, torço por vc e acima de tudo te admiro.
    Li seu post sobre o encontro com a médica e me deu revolta, pois eu frequento esse café e só de imaginar em dividir espaço com uma uma pessoa assim me dá até tristeza.
    Vc pra mim é um dos melhores exemplos de mãe que eu posso citar, mesmo sem conhecê-la pessoalmente.
    um beijo e muita força,
    Juliana.

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  2. É muito bom ver a Valéria leve, empolgada e engajada numa atividade tão "do bem", que tem trazido tranquilidade e paz de espírito.
    Até o último instante eu faria o curso junto com ela, mas estou num ritmo MUITO frenético no trabalho, realmente sem tempo, e não conseguiria dedicar a seriedade que essa prática requer.
    Não vejo a hora das coisas se acalmarem pra também entrar de cabeça nessa...
    Leo

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