Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



sábado, 17 de outubro de 2009

Da UTI para casa

Me lembro como se fosse hoje do dia em que conheci o Felipe. Sou fisioterapeuta e estava de plantão na UTI neonatal dia 12 de janeiro, uma sexta –feira, um dia depois de seu nascimento. Como de costume, acontecia um “round”, onde equipe de médicos , fisioterapeutas e enfermagem discutiam o caso de cada criança. Felipe chamava atenção no último berço da esquerda de quem entrava na UTI. O que acontecia com aquela criança “grande” ? Digo grande porque era a termo, diferente dos prematuros que existiam ali. Sua pele branca, nariz perfeito e principalmente seus cabelos lisos e escuros chamavam atenção. Ainda não dava para ver direito sua boquinha porque ele estava intubado. Uma criança dessa em ventilação mecânica?? Como?? Eram muitos questionamentos. Pesquisas, perguntas e reuniões frequentes aconteciam para tentar entender e explicar toda a situação. Começava aí a comovente história do Felipe.
Durante 5 meses, a UTI foi sua casa e aquele era seu berço. Não havia silêncio e sossego naquele ambiente. Por diversas vezes foi “furado” para pegarem uma veia, aspirado para retirar secreção, examinado e mobilizado por toda a equipe.
Do tubo, foi para traqueostomia e agora podíamos ver o desenho perfeito de sua boca também. Ele crescia e se tornava mais estável. Já podia ir para o colo de seus pais, mesmo com todos os tubos e fios que o cercavam, a tomar banho numa banheira improvisada e a vestir roupinhas. Sempre muito cheiroso!!
Incansáveis eram as visitas de seus pais e avós. Valéria e Leonardo estavam ali o tempo todo acompanhando cada passo do filho. O tempo ia passando e começava o preparo para levá-lo para sua verdadeira casa, seu verdadeiro berço. A angústia e preocupação era grande. De fato, sua saída emocionante da UTI aconteceu dia 12 de junho de 2007. Este dia eu estava lá!!
Leonardo esperava em casa com a equipe de home –care e Felipe chegava acompanhado de sua mãe. Começava uma nova etapa na sua vida. Tudo era muito novo.
Visitas médicas, de enfermagem, assistente social, técnicas de enfermagem 24 hs e fisioterapia diária começavam a fazer parte do cotidiano da família.
Com isso, já fazem 2 anos que o Felipe encontra-se no seu berço, ops, agora é uma cama, tomando banho no seu banheiro (e de chuveiro!!), curtindo sua casa, seu espaço e o carinho de seus pais. Sempre recebendo visitas dos avós , do irmão mais velho, dos tios, primos e amigos em geral.
Durante pouco mais de um ano atendi o Felipe em casa, hoje em dia não sou mais da escala, mas eventualmente estou indo lá para ajudá-lo na sua “ginástica”. Adorei poder participar deste blog e me emocionei ao contar um pouco do que presenciei da vida do meu sempre paciente e amigo Felipe.
Um grande beijo da “tia” Lu.

Um comentário:

  1. Lu, você teve (e tem) particpação fundamental para estarmos onde estamos hoje. Esteve conosco em TODOS os momentos, e com frequência sua dedicação foi além das atribuições técnicas. Saiba que, junto com a Aline, sempre terá lugar cativo em nossos corações.
    Beijos

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