Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Memórias...

Memórias...
Erro médico. A Valéria não foi vítima só dele. Passado algum tempo daquele dia terrível, aconteceu um outro capítulo que talvez poucas pessoas saibam:
Era dia 6 de junho. Atendi uma ligação no trabalho para a Valéria. Era a secretária do anestesista que fez parte da equipe da sala de parto. Achando que pudesse ser alguma coisa importante relacionada com o Felipe, avisei à Valéria correndo. Ela ligou imediatamente, de dentro da UTI onde passava todos os seus dias ao lado do filho. Depois soube o que o anestesista queria. A secretária, em nome dele, ligava porque ele tinha verificado que o pagamento do parto estava em aberto e gostaria de cobrar!?!?!?!
Este senhor, após o ocorrido na sala de parto e toda a comoção que se seguiu, JAMAIS procurou nem a ela nem ao Leo na UTI, onde permaneceram por 5 meses, para ao menos saber o que tinha acontecido. Prestar uma solidariedade educada que fosse. Pelo contrário, passou por eles várias vezes sem saber quem eram, indiferente. Não eram ninguém importante. Só foram importantes no dia em que viu que ela não tinha pago. Nesse dia, ele quis saber dela.
São pessoas que não merecem ser chamadas pelo mesmo título que chamamos tantos médicos dedicados, solidários, incansáveis que conhecemos. Como os que, depois do acontecido, cuidaram e cuidam do Felipe até hoje. A esses, que não se limitam em olhar o Felipe e acabam olhando também pelos pais, minha imensa admiração e respeito.

Márcia Dabul

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