Meu nome é Valéria Pellon. Minha vida com meu marido Leonardo foi atropelada por uma grande injustiça: em 11 de janeiro de 2007, Felipe, nosso anjinho tão esperado, nasceu em um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro e, em função de negligência médica, sofreu lesões cerebrais irreversíveis durante o parto, em decorrência de asfixia. Após 5 meses internado na UTI veio pra casa com "home-care", como viveu até 11 de novembro de 2010, em estado vegetativo. Este blog é uma forma de "gritar" o nosso sofrimento e mostrar como o amor salva nossas vidas e nos faz sobreviver, a cada dia.



quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Voltem sempre !

Fiquei muito impressionada com a força dessa iniciativa. Não imaginava que em dois dias tanta gente iria acessar o blog, fazer comentários, me mandar emails. Cada mensagem mais linda que a outra ! Fico aqui pensando porque não fiz isso antes...Mas pensando bem, não fiz porque não estava preparada para essa exposição do Felipe e das nossas vidas. Não estava preparada pra falar tanto sobre a nossa dor. É difícil... às vezes é melhor deixar a vida nos levar, ficando quieto, pra gente se poupar do que dá. A hora certa é agora porque foi o que meu coração me levou a fazer. Não planejei absolutamente nada, na verdade eu mal sabia o que era um blog... É...tô ficando meio antiguinha mesmo... Eu queria na verdade uma boa forma de contar essa história, de não deixá-la cair no esquecimento, de passar adiante e alcançar o maior número possível de pessoas. Hoje só conseguimos isso de forma rápida e tão eficiente na internet. Então comentei sobre fazer um blog com o Leo, e em 15 minutos ele - o blog - estava lá, prontinho !

Eu sei que nossa história é muito triste, mas quero que esse espaço aqui seja, na medida do possível, legal o suficiente para que as pessoas tenham vontade de entrar novamente e de passar adiante. Que seja para ver fotos lindas, coloridas e fofas do meu anjinho. Para falar de alguma novidade que descobri que possa ajudar outras pessoas que passam por problemas parecidos. Para dividir alguma superação nossa, e foram tantas ! Quero contar como nós adaptamos a vida e a rotina do Felipe às nossas, falar das coisas interessantes que li e que gostaria de compartilhar.

Para quem nunca foi na nossa casa, não espere encontrar um lugar triste, escuro, sombrio...nada disso. Temos SIM muita tristeza no nosso coração. Muita, não dá nem para explicar. Para quem não sabe, a história do Felipe ainda caminhou junto com a história de luta do meu querido pai contra o câncer, que tristemente acabou há 3 meses atrás... Eu fico me perguntando de onde pode vir tanta coisa ruim....Mas surpreendentemente e, lógico, com muito apoio psicológico e psiquitátrico que eu precisei (qualquer hora falo sobre isso...), conseguimos sorrir, conversar com os amigos, tomar um chope, fazer brincadeiras em casa com as "tias" enfermeiras, babá e fisioterapeutas que cuidam dele. Enfim, dessa forma, quero que esse blog seja igual à nossa casa: leve, claro, colorido, mesmo dentro do cenário de tristeza que o cerca. E que vocês voltem sempre !

Muito obrigada pelo apoio de TODOS. Eu não imaginei que a ideia seria tão bem recebida. Que bom, acho que estamos no caminho certo.

Um comentário:

  1. Pois é Valeria, não dá para ler essas mensagens e não se emocionar. Estou no quarto do matheus com a Roberta tambem e os dois finalmente conheceram o Felipe e eu acho, que ambos ficaram "aliviados". O Felipe volte e meia está nas nossas conversas, ou só entre a gente ou quando a Nanda está por aqui. E as perguntas são sempre as mesmas. Como ele é? ele fala? ele anda? ele chora? e , infelizmente como as respostas são sempre não ficava sempre na imaginação deles como uma crainça que não faz nada disso seria? Hoje, ao abrir o seu blog mostrei a eles o Felipe, e para a minha alegria a primeira coisa que a Beta falou foi - Matheus, vem ver como ele é fofo, cada bochechão! Fiquei com um nó na garganta. O Matheus meio que receoso, mas com curiosidade deu uma olhada e tirou a dúvida que tanto deveria ter. Me fez algumas perguntas, faceis para eu responder, porem difícil para ele entender. Respostas que só quem é mãe ou pai pode entender. Me perguntou se eu estava chorando, disse que sim, mas ele seguiu no seu estudo. Olhando para ele agora, fico imaginando a sua dor. Não tem como eu ter noção. Seria a mesma coisa que tentar explicar a uma mulher o que é ser mãe, ou melhor, o que é AMAR um filho. Só dá para sentir essa emoção quem os tem.
    Quando recebi o email sobre o seu blog, não abri logo. Só fui abrir hoje, sentada na cama do Matheus estudando com ele. Me emocionei demais, mas ao mesmo tempo tambem me senti mais aliviada. Ver vcs encarando essa situação assim, me deixa menos triste em relaÇão a esse assunto. Na época não tinha o que falar. Lembro que o Hermann teve mais coragem para falar com vcs. Ele sempre gostou de vc e achei bem legal dele te dar uma força.
    Bom, acho que já escrevi demais. Não foi nada planejado, continuo sentada na cama do Matheus como se eu estivesse conversando com vcs.
    Quanto a Deus, Ele existe. Cada um tem o Seu. E o Felipe tem o Dele.
    Beijos em todos. A Beta está aqui e está pedindo para eu falar novamente que ele é fofo.
    Bjs.

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